Livrem-se do já ganhou e do já perdeu

Eleição é mais ou menos assim, num resumo geral: não existe o "já ganhou" e o "já perdeu" por antecipação. Quem morre na véspera é peru. Antes e acima de tudo, trata-se de trabalho bem feito ou não. Simples assim.

Pode-se arrolar exemplos e mais exemplos de campanhas de partidos pequenos, até inexpressivos, com candidatos bons ou bem trabalhados pelo marketing, com vitórias interessantes no currículo e partidos grandes, os maiores até, com nomes exponenciais, porém sem uma essência ideal e, portanto, derrotados. A considerar, também, que tudo depende do momento e das circunstâncias, isto é inegável.

Vamos a alguns exemplos: Collor e Ulysses Guimarães em 1989. O menor e o maior partido. O candidato, o momento, a circunstância e o marketing resolveram. O tamanho do partido não resolveu nada. E naquela eleição, se lembram, o já ganhou era do Lula.

Dario Berger por duas vezes em Florianópolis. A primeira vez foi inacreditável. Na reeleição parecia impossível. Foi reeleito. Clésio Salvaro em Criciúma. Chegou como quem não queria nada, deu um banho de votos na primeira vez e, impedido, apresentou um azarão, o seu vice, e também arrasou nos votos, concorrendo com os pesos pesados do PMDB. Duas vezes. Novamente ficou provado que tamanho não é documento.  Campanha bem feita sim, com bom proselitismo e aproveitando um momento impactante. 

Aqui mesmo, com Piriquito ocorreu assim: na primeira eleição, por pouco menos de dois mil votos. Na segunda, contra os então líderes  maiores (um de aceitação como prefeito e outro campeão de votos na cidade), mandou quase 18 mil votos de diferença. 

No fundo, alguém disse, eleitor quando quer é como fogo morro acima e água morro abaixo - ninguém segura. 

Mas isso, é bem verdade, há que ter um trabalho. Mostrar um bom produto que é não apenas o candidato, mas suas propostas, suas perspectivas e sua empatia (empatia, lembram-se, é quase mais importante que propostas). Um candidato bem recebido pelo eleitor, ainda que nem seja o ideal naquele momento, é meio caminho andado. Um produto - sim, em eleição candidato é um produto, queiram ou não, e precisa ser bem trabalhado - de boa aceitação. Mostrou, agradou, levou.

Pois neste 20 de julho, aniversário da cidade, circulou a informação de que o quadro começa a se delinear nas hostes oposicionistas. Arma-se uma definição, com PR, PP e PSDB juntos numa chapa majoritária e proporcional. A ideia é Carlos Humberto na cabeça (PR) com Júnior Pavan ou Fábio Flôr de vice.

A gente fica imaginando a crueldade da eleição, ante as novas regras de gastos: dois candidatos sem força financeira numa chapa são candidatos a morrer à míngua. Não seguram a campanha até o final. É muita limitação. Neste caso, então, ou o cabeça de chapa é calçado ou o vice. Se forem os dois, melhor. Por quê? Porque, conquanto a lei limite doações apenas a pessoas físicas e sob percentuais muito baixos, os candidatos podem gastar sem limites e sem dar maiores explicações na prestação de contas. Daí a importância de um dos dois ou os dois serem bem aquinhoados financeiramente.

Imaginam-se três candidaturas. Quatro, quem sabe. Neste caso, um grupo começa forte - o do prefeito. Outro grupo, se bem formado nas oposições, terá também força. Um terceiro equilibra as forças. Se for um quarto, todos os prognósticos jogam a eleição com maiores possibilidades para a candidata apoiado pelo prefeito. Porque já tem uma estrutura, tem a visibilidade do governo - ainda que isto não possa ser usado diretamente na campanha. Por pior que possa estar, é um handicap considerável que outros não possuem.

Em todo caso, é bom lembrar o início desta peroração: livrem-se do já ganhou e do já perdeu.