Briozoários na praia e a repetição das mentiras

(Matéria publicada por este site no começo de 2016, fevereiro):

Briozoários na Praia Central exigem do serviço de limpeza ação quase diária de limpeza. Sua presença, ao contrário do que muitos insistem em dizer, não decorre de poluição por esgotos. Trata-se de um desequilíbrio ecológico causado, segundo o oceanógrafo Fernando Dihel, em entrevista publicada no jornal Página 3 do último final de semana, provavelmente ao alargamento da faixa de areia da Barra Sul realizado entre 2002 e 2003 (governo Spernau).

Naquela operação, grande quantidade de material orgânico foi retirado do fundo do rio Camboriú e depositado no local, sem qualquer tipo de estudo de impacto, como o que hoje é sentido, mesmo 13 anos depois.

Segundo declara Dihel na entrevista, esses organismos são raros na costa brasileira. A sua retirada sistemática, em todas as temporadas, ocorre desde 2004 (governo Spernau), quando começaram a aparecer na Praia Central. Na matéria, o oceanógrafo dá explicações técnicas detalhadas a respeito do fenômeno.

Esses briozoários, em grandes quantidades, se deixados na orla causam odor forte e desagradável, além de turvarem a água do mar com sua presença, dando-lhe um aspecto de imundície, inclusive impregnando-se na areia.

Para Fernando Dihel, a enseada da praia está à procura de um novo equilíbrio. O que não se sabe – e ele não previu -, é até quando vamos conviver com este fenômeno.

Pelo menos sua entrevista esclarece e define de uma vez por todas que os briozoários não advêm de tratamento de esgoto deficiente, como muitos tentavam fazer crer.

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(Trechos publicados no jornal Páginas 3, em 15/02/2016)

O oceanógrafo Fernando Diehl, de Balneário Camboriú, talvez o maior conhecedor dos assuntos que envolvem nossa praia central, diz que ela está desequilibrada, provavelmente devido ao alargamento da faixa de areia na Barra Sul, realizado entre os anos 2002/2003, quando grande quantidade de matéria orgânica e lama foram dragados da região da desembocadura do rio Camboriú e despejados na praia.

Aquela obra por um lado trouxe vantagens como mais espaço para lazer e proteção da Avenida Atlântica contra ressacas e por outro depositou enorme quantidade de material orgânico naquele espaço. Este material estava depositado na região da desembocadura do rio, por anos, junto à área de manguezal, e claro, muitos dejetos de um passado quando o saneamento da cidade não era uma preocupação maior.

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Em 2007, no XII Congresso Latino-Americano de Ciências do Mar, Diehl já apresentava relatório sobre a presença em grande quantidade dos briozoários na praia central de Balneário Camboriú, uma anomalia porque esses organismos são raros na costa brasileira e nunca foram encontrados em volume tão grande quanto aqui. Os briozoários começaram a arribar na praia central, em meados do ano de 2004, e quem tem uma boa memória, lembra-se das toneladas que eram retirados diariamente pelo serviço de coleta de lixo da cidade.


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(O sentido é de colocar luz sobre o assunto, já que muitos tentam atribuir o surgimento dos briozoários a fenômenos atuais - como o despejo ou propalada deficiência no tratamento de esgoto - e isto é mentira. Tá na hora de assumir verdadeiras responsabilidades ou parar de jogar para quem não tem)