O hospital Ruth e menino esquecido

Na imprensa, ante o debate sobre o Hospital Ruth Cardoso e a proposta de  terceirizar parte de sua gestão à iniciativa privada, o candidato Fabrício Oliveira resolveu afundar o verbo a respeito e recebeu uma resposta direta e fulminante do prefeito Edson Piriquito. Vejam:


(Fabrício disse):

POR QUE PRIVATIZAR A GESTÃO DO RUTH CARDOSO?

Um projeto foi enviado pelo prefeito de Balneário Camboriú ao Legislativo Municipal para “entregar por até 20 anos” a gestão do Hospital Ruth Cardoso.

Esse é o momento? Fim de mandato e no período eleitoral? O Governo Municipal chegou na UTI.

Não podemos admitir uma tentativa de encaminhar um projeto como esse, para privatizar a gestão do hospital, sem ouvir a sociedade, em um debate sério e transparente. Qual a real necessidade de ser feito em um momento como o atual? E não quero me valer de oportunismo eleitoral, sou cidadão antes de tudo.

O mais importante não foi feito até hoje, que é cuidar das pessoas, um atendimento com dignidade, sem filas para consultas com especialidades que demoram anos.

Salvando vidas e não tirando vidas pela ineficiência, falta de gestão competente, colocando bons profissionais como os que temos na saúde em situação de risco, sem ambiente digno para o trabalho e outros tantos fatores ruins, que por muitos anos, ocupam espaço negativo na imprensa. E pior que isso, resultando em mortes e sequelas decorrentes do descaso de um governo desastroso.

Teremos um prefeito eleito nos próximos dias e encontrará uma saúde totalmente terminal, será que não deve ser respeitado o debate amplo e sério sobre esse assunto?

Qual interesse em tratar do tema neste momento? Saúde é coisa séria, não se brinca com isso, pessoas estão acima de tudo, de qualquer governo ou governante.

Tivemos anos de abandono do Governo Municipal, e ainda, deputados que não olharam para o hospital. Estive à frente da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional e na ocasião, destinei verba ao Ruth Cardoso e nada foi feito para cuidar das pessoas, nosso único e precioso bem.

Temos de mobilizar as pessoas contra uma atitude oportunista como essa. Vereadores, não sejam avalistas disso!

Não discuto o mérito do projeto, discuto o melhor momento e a melhor forma de fazer isso. Sem ouvir ninguém? Temos de ouvir, sobretudo, as pessoas envolvidas no tema, sociedade civil organizada, o MP e outros interessados.

Chega de decidir no achismo, no chute, blefando, saúde não é uma obra como outras que, se der errado faz de novo. Errar aqui, não tem conserto, morre. Socorro!


(Edson Piriquito disse, em resposta):

O MENINO ESQUECIDO

É lamentável que alguns insistam em utilizar as redes sociais para ludibriar as pessoas. Nesta quarta-feira, um candidato a prefeito que não tem nenhuma experiência em gestão pública usou a plataforma para divulgar uma nota que induz a comunidade a acreditar em fatos que não condizem com a verdade. Por entender que não podemos ser coniventes com este ato, venho esclarecer alguns pontos.

Em maio deste ano a Prefeitura de Balneário Camboriú encaminhou um Projeto de Lei para a apreciação da Câmara de Vereadores. O referido projeto dispõe sobre a criação e instalação do Complexo do Hospital Municipal Ruth Cardoso, permitindo a descentralização das ações de gestão de pessoal e serviços de atendimento de urgência e emergência, com uma Organização Social (OS) sem fins lucrativos e com experiência em administração hospitalar.

Isso não é ‘privatização’, como é apontado pelo candidato, é a contratação de uma organização para gerir o Hospital, a exemplo do que já acontece comdiversas instituições no Estado e no país. Além disso, este projeto em questão apenas altera dispositivos que já foram aprovados na Lei Municipal n° 3.088/2010, quando o candidato ainda era vereador e votou a favor do projeto.

O projeto atual altera a Lei em três pontos: aumenta o período de contrato de gestão de cinco para 10 anos e permite que outras entidades qualificadas de Santa Catarina possam participar, ou seja, amplia a competitividade e ainda inclui a estrutura do Pronto Socorro.

O candidato questiona em sua nota o ‘momento’, que, na opinião dele, seria uma manobra eleitoreira de final de mandato. Mas o que o mesmo não comenta é que o Projeto foi encaminhado em Junho à Câmara Municipal (e não agora), por uma necessidade jurídica. Existia uma ação judicial entre Administração Municipal e Ministério Público e a mesma foi finalizada, a favor da municipalidade, apenas em março deste ano. Por este motivo não foi possível fazer o encaminhamento para a licitação anteriormente, reforçando que esta foi a solução de modelo de gestão entendida como acertada pelos próprios vereadores já em 2010, quando o próprio candidato fazia parte do colegiado.

É importante salientar que já em 2010 os próprios vereadores chegaram à conclusão de que ou se realiza concurso público ou se delega a gestão.Salientamos e alertamos que a não aprovação da referida Lei e o lançamento de licitação poderá colocar em risco a própria continuidade dos serviços prestados, posto que não existe mais base legal para que as contratações continuem sendo feitas em caráter temporário.

O Hospital Municipal Ruth Cardoso continuará atendendo 100% gratuito e salvando vidas de quem quer o procure. Levianamente o candidato acusa a gestão de ser responsável por tirar vidas. Isso é inadmissível e irresponsável. Nenhum profissional chega para trabalhar no HMRC com o objetivo de tirar uma vida.

A Administração Municipal investe constantemente na valorização pessoal e em estrutura e equipamentos para garantir o pleno funcionamento e condições de trabalho.

Em 2008 um médico contratado pela Prefeitura de Balneário Camboriú para trabalhar por 40 horas recebia R$2.914,84, hoje, em 2016, o médico recebe R$12.330,08 pela mesma carga horária, totalizando um aumento de 323%. Nós confiamos nos mais de 300 funcionários do Hospital, desde os agentes de serviços gerais, funcionários administrativos, técnicos de enfermagem, enfermeiros, até médicos gerais e especialistas, coordenação, direção, entre outros tantos, que todos os dias se empenham para salvar vidas e garantir qualidade no atendimento à saúde da população.

É lamentável a atitude do candidato em estimular a população a se posicionar contra uma ação que visa trazer apenas benefícios, tanto para a comunidade como para a administração pública, gerando, inclusive economia aos cofres públicos e da qual ele mesmo já se posicionou a favor no passado, enquanto vereador.

Vale ressaltar ainda que o candidato publicou a nota afirmando que sua manifestação seria como cidadão e que não queria se valer de oportunismo eleitoral, mas faz questão reafirmar que estamos a poucos dias de uma eleição municipal.

Quero aqui também lembrar que, quando o candidato a prefeito assumiu cadeira de deputado federal, por ser suplente, ele esteve em meu Gabinete para solicitar qual seria o principal pleito da nossa cidade. Solicitei-lhe ajuda financeira para custear o HMRC. Até ontem não recebemos qualquer ajuda, ou sequer resposta, por parte dele.

Nos causa, no mínimo, estranheza o agora candidato cobrar de vereadores e até deputados atitudes referentes ao HMRC, sendo que quando teve a mesma oportunidade não o fez.


COMENTS: Há sempre o momento ideal para falar ou calar. Jamais se deve calar quando se deve falar e falar quando se deve calar.


Aliás, indo adiante: o Ruth Cardoso, falando em prazos de afogadilho para geração de obras ou decisões, foi "inaugurado" em 2008, entre o Natal e o Ano Novo, a menos de 10 dias do início de uma nova gestão municipal. Sem quadro de funcionários contratado e sequer perspectivas de concurso, sem entorno, sem rede de esgoto, para falar o que de mais importante faltou na época. 
Foi um erro construí-lo com este modelo e, na época, até Pavan desaconselhou, mas não foi ouvido. Especialistas  médicos de excelêrncia, como o Dr. Celso Dellagiustina, condenaram o modelo como impróprio. Não adiantou. E sabem quem fazia parte da administração na época? O Fabrício...
Nem havia recursos adequados para a prefeitura bancar a sua parte e foi necessário sangrar a Emasa em R$ 10 milhões para cobrir a parte do município. 
O outro erro foi abri-lo. Fosse ele um grande PA 24 horas funcionaria melhor. Tem características para isso. É só ver o que ocorre com um hospital igualzinho a ele, construído pela mesma entidade e sob as mesmas condições, em Biguaçu. Vive o mesmo drama e, após mais de cinco anos, nem começou a funcionar plenamente. E ainda por cima é considerado regional pelo governo do Estado e há recursos federais e estaduais definidos para a sua manutenção. Algo como R$ 4 milhões por mês. O dinheiro não chega, mas tem a promessa. O município já está arrependido. Avisado foi. Várias vezes.