Lembranças das eleições passadas

Pois meus filhos, as lembranças desfilam cá na minha frente.

Cenário: eleição de 2008. Antes do resultado, prognósticos sombrios sobre a eleição de Edson Piriquito, massacrado por denúncias e mais denúncias via imprensa adversária. E então veio a eleição e tudo foi enterrado, com vitória apertada.

Cenário: resultado consagrado. O massacre continuou com denúncias e mais denúncias. “Não vai ser diplomado”, dizia-se. Foi.

Cenário: interstício entre diplomação e posse. “Não vai tomar posse”, insistiam. Empossou.

Cenário: primeiros dias. Cobrança sobre os emblemáticos “cem primeiros dias de governo” (e ninguém sabe de onde se tirou isso como norma de definir um governo iniciante). E então vinham os comentários sombrios: “não chegará a seis meses de governo; será cassado”. Outra: “vai atrasar pagamento do funcionalismo, como Castro”. Mais: “a cidade vai acumular lixo a céu aberto em todas as ruas”.

Sem contar as tiradas maldosas sobre sua personalidade, Piriquito foi pressionado, garroteado, vilipendiado, provocado, bombardeado e viveu os quatro anos de seu governo correndo atrás de respostas sobre denúncias e acusações. Apostaram no seu desgaste político-eleitoral que, à vista do que se dizia e ecoava, era evidente. Ou parecia evidente.

E os quatro anos de pauleira geral resultaram numa nova eleição e sob um novo estigma: a volta aos antigos “donos” do poder, com a nata das natas de sua representatividade.

E veio o segundo cenário. Eleição de 2012.

Repetir aqui o que houve será cansativo. Todos sabem. Ou seja: a linguagem cáustica, corrosiva e odiosa dos primeiros quatro anos foi um verdadeiro tiro no pé. Teve efeito inverso.

Não querendo repetir, mas já o fazendo, pois é bom dizer pelo menos isto: nesse interregno entre uma eleição e outra os adversários do prefeito perderam quase cinco mil votos em números absolutos, inobstante o crescimento real do eleitorado.

Pois, pelo que se vê agora, parece não terem aprendido.

Menos mal que o candidato Pavan, apesar de suas contradições medulares na composição da chapa, reconhece a necessidade de elevar o nível da campanha e evitar o confronto e a crítica ou os ataques (claro, também não tem muito chão para entrar por aí, com um vice egresso recente do governo de Piriquito e em posições administrativas fortes...). Todos sabem da sua contrariedade com o atual prefeito e vice-versa, mas dele não partiu nada que signifique choque. Pelo contrário, até. Quem está abrindo frente de guerra com Piriquito é Fabrício. E isto, nem há dúvida, é uma inépcia política além da conta. Com certeza se dependesse dos conselhos (eles os dá?) do Carlos Humberto, evitaria e assumiria outra postura, mas talvez haja dentro da organização da candidatura de Fabrício alguém que o envenena e ele toma o veneno sem titubear. Talvez um dia o ensinem que, em política, construir é primordial, antes de tentar destruir. Sob o princípio simples segundo o qual nunca se deve superestimar suas próprias potencialidades e nem subestimar a dos adversários. Em política e em eleição isto é fatal.

O que se percebe é que essas lições, de repente, só serão absorvidas depois do resultado da eleição. E pode ser inesquecível. Porque será tarde demais.