Uma pesquisa sem eira e nem beira

O primeiro pensamento, ao ver uma pesquisa com números claramente estrábicos, sem lógica, contratada ou defendida por determinado candidato ou partido com paixão acima da conta, é: se o candidato ou partido ou coligação precisa falsear números de pesquisas ou inventar dados percentuais para se sobressair é porque tem convicção de suas fraquezas ou tem certeza absoluta de que está mal. Ou não precisaria disso, bastaria a verdade. 

Uma pesquisa mostrada no Click Camboriú como contratada pelo blog, na verdade não foi. Os registros no TSE indicam a pesquisa como autônoma de uma empresa chamada Diagrama Publicidade, de Curitiba. E ficou pior quando, perquirindo os dados da empresa, concluiu-se pela incrível inexistência dela. Seu endereço é um apartamento residencial, o dono faleceu em 2011 e os bens estão sendo inventariados pela família (e a Justiça concluiu que não há bens). Outra coisa é o preço indicado como pagamento: R$ 6 mil. Que empresa boazinha de Curitiba pagaria por uma pesquisa sem qualquer interesse por aqui? 

Não para por aí: ficou ainda mais esquisito quando, sem mais e nem menos, sem sequer ser citado, alguém da campanha do Fabrício Oliveira passou a defender a pesquisa com unhas e dentes. Compreensível: ele está na frente nos seus números. Mas há outras coisas muito estranhas e contrárias a qualquer parâmetro em pesquisas de média credibilidade: os números mostrados na consulta espontânea são praticamente iguais os da consulta estimulada.

Enfim, a pesquisa é uma mentira de cima a baixo. Se é para ir por aí, a campanha, neste seu momento decisivo, vai ganhar contornos lamentáveis.