Aos futuros secretários de Turismo e pessoal do trânsito

Sentindo todos os dias as agruras naturais do trânsito nos momentos de pique (ou "rush", sendo pernóstico) ou nos feriados e, daqui a pouco, na temporada, vimos como de bom alvitre (eita coisinha rebuscada...) revisar o sistema de trânsito. A começar pela vedação de tráfego dos ônibus de turismo, coisa já cogitada há algum tempo atrás em projeto de autoria do vereador Moacir Schmidt que, sem saber-se por que, morreu na casca sem maiores explicações. A intenção foi de obrigar-se os ônibus a estacionar lá fora do centrão e os hoteis ou pousadas buscarem os clientes em vans, muito mais fáceis de manobrar, estacionar e, quem sabe, descarregar dentro dos próprios estacionamentos fechados dos hoteis.

Alguém comentou, menosprezando a medida, que isso seria acrescentar um problema, pois seriam as vans mais veículos no trânsito. A questão não é esta - mas o espaço de manobra e a ocupação das vias. Os ônibus são largos e em muitos hoteis os hóspedes são literalmente despejados no meio da rua, pois grande parte deles fica à esquerda da Brasil, por exemplo. E o espaço de parada é pequeno. Não cabe nem um ônibus. Acrescente-se a isto a falta de organização na ordem de chegada desses ônibus, o que causa repetidas filas dos coletivos turísticos parados em cima da pista. Fora da temporada isto já é um baita problema, imagine-se no fluxo maluco da temporada. Além disso, o espaço de manobra dos ônibus nas nossas ruas estreitas e, em muitos casos, com trajetos passando por esquinas apertadíssimas. Os monstros coletivos nem conseguem manobrar de uma só vez, precisando de tempo para ir se ajeitando até conseguir entrar. Acontece às dezenas na temporada, com as consequências desastrosas conhecidas e reconhecidas. 

Nada disso será feito sem um berreiro de protestos. Muito natural. A questão é o poder gestor se impor, fazer e fim. Porque essa gente reclama de tudo e sempre quer a cidade aos seus pés e a sociedade que se lixe. Tempos atrás sugeriram até eliminar o Calçadão da Central e voltar a ter trânsito por ali, então imaginem. 

Os futuros secretários de Turismo e o pessoal do trânsito, se quiserem mesmo resolver assim - e é uma das principais soluções, não a única, preparem o lombo para as pancadas e os ouvidos para os desaforos.