Formação do novo governo e o risco de xeque-mate

A discussão em torno da formação do novo governo municipal de Balneário Camboriú é pertinente, como em todas as vezes. Ainda mais por ter sido este governo forjado numa eleição com nuanças especiais - predominando a linguagem de mudanças de paradigmas. 

Entretanto, até o presente, nada impactante ocorreu. O anúncio oficial da assessoria do novo prefeito será dia 16 de dezembro. Até lá, as especulações vão comer solta. Já se fala em rasteiras internas em aliados, buscando acomodar integrantes do arco de aliança da eleição.

Estranhável algumas críticas quanto à indicação de apoiadores. Por certo isto é mais que natural - ninguém suporia indicação de adversários. A questão é que a maioria deverá sair de egressos de governos anteriores, do PSDB. Mas até o próprio prefeito eleito veio de lá. No caso, a normalidade do processo só esbarra na eventual indicação de pessoas que, sabidamente, não darão conta do recado. Ao menos em relação às expectativas criadas, sempre muitos decibéis acima do imaginável.

O vice-prefeito, principal financiador da campanha, será colocado de lado ou, então, será menos prestigiado, como se tem lido e ouvido? Se não for isso apenas uma intriga ou uma fofoca, o prefeito eleito cometerá um erro e uma injustiça. Mas o pior será a demonstração de deslealdade - que, em política, é fatal. A matéria prima de qualquer político é a palavra empenhada, o compromisso assumido. Se falhar aí, desmonta a imagem.

Finalmente, olhemos à frente e aguardemos os emblemáticos primeiros cem dias de governo. Será ali o vislumbrar do que o governo eleito pretenderá. Ou move as pedras corretamente ou sofre xeque-mate.