Água, esgoto e limpeza urbana

Algumas coisas precisam ser observadas logo nos primeiros momentos da futura administração. Exemplo: forma jurídica da limpeza urbana - concessão ou serviço próprio e, sem qualquer dúvida, a regulação de nova tarifação da água e esgoto. A tarifa de Balneário Camboriú é a menor do Estado e uma das menores, senão a menor, do Brasil. Porque houve um propósito de não reajustá-la periodicamente. Estagnou despropositadamente. Hoje, é fato, a empresa gestora é superavitária sob todos os aspectos, mas porque se introduziu a cobrança progressiva nos condomínios. E esta é outra questão a ser avaliada de imediato. Não tanto pela cobrança em si, que não está errada, mas os valores e as escalas evolutivas Quem sabe, como preconiza o diretor geral da Emasa, engenheiro André Ritzmann, estabelecer uma tarifa linear, única, com valores próximos dos R$ 3,00 o metro cúbico. Há quem defenda R$ 3,50 - o que parece mais lógico. As cobranças se baseariam, como hoje, nos 10 mil metros cúbicos iniciais do consumo mensal de um domicílio como valor mínimo - coisa de R$ 35,00. Hoje não chega a R$ 20,00. 

Tudo isso precisa de um acordo prévio com condomínios e Ministério Público, além de uma audiência para definir critérios. Porque ainda há entraves a serem deliberados, quase todos na alçada judicial. 

A Emasa é a galinha dos ovos de ouro da administração municipal. Empresa rentável sob todos os ângulos, uma estrutura hoje ampliada visando ao seu futuro e o da cidade. 

Há um receio de sua privatização mediante concessão. Receio alimentado durante a campanha, várias vezes desmentido pelos eleitos e pelos demais concorrentes no curso da eleição. Receio que prossegue, entretanto, por nuanças ainda pouco claras e, por isso mesmo, sem possibilidades de serem aventadas publicamente. As empresas ao redor - Bombinhas, Itapema e Camboriú - já estão sob domínio privado. E, dizem as más línguas, a mesma empresa que administra Bombinhas e Camboriú estaria vivamente interessada em concessionar os serviços de Balneário Camboriú. Todavia, como dizia Manoel de Menezes, folclórico jornalista de Florianópolis no seu tempo (pai de Cacau Menezes): "Dizem, mas eu não afirmo". É só fumaça, por enquanto.