É bom negócio aumentar a faixa de areia?

Desde a consulta popular em 2001 sobre o engordamento da faixa de areia e outros eventos a respeito do assunto muito tempo antes, nada evoluiu na prática. Tudo emperra: orçamento e licenciamento. Mas outra coisa continua metralhando a consciência de todos: há mesmo necessidade de mudar a faixa de areia, ampliando-a? A finalidade inicial e principal seria uma dita "reconquista de espaços" ou "revitalização", com geração de lugares para esportes, recreação, socialização. Nada que já não possa existir hoje. Porque, passados todos esses anos, ninguém sentiu nada na carência de mais espaço na areia - sempre muito mal usada e isto continuaria com ou sem engordamento. Ademais, o que é preciso revitalizar e criar são outros espaços em toda a cidade.

Antes disso se deveria rediscutir a conveniência de ter-se na orla 156 tendas de churros e milhos e de aluguel de cadeiras - uma a cada 30 metros e 45 quiosques. Tanto uns como outros, com raras exceções, só permanecem funcionando na altíssima temporada. Depois, ficam fechados e abandonados, comprometendo o visual da praia. Digamos assim, em dois terços do ano ou mais. Quem garante que com o engordamento seria diferente?

O projeto de se ampliar as faixas de rodagem, criando-se um corredor exclusivo de ônibus é um benefício, mas não é exatamente um processo de humanização. Processo de humanização seria reduzir o tráfego normal de veículos na Atlântica e abri-la à população, para apresentações culturais, recreação e artísticas permanentes. No máximo, uma pista para veículos de moradores e só. Claro, com rigoroso controle. Pelo menos em finais de semana fora da temporada, quando o movimento é menor. E isto já se faz com o tal "Encontro de Amigos", muitos nem tão amigos assim, pelo menos nos finais da festa. E também nas solenidades cívicas, como o Sete de Setembro.

Enquanto isso, continuará sendo uma incógnita a ampliação da faixa de areia da Praia Central. Ainda porque o mar financeiro não está pra peixe.