A bênção de Timóteo

Informações extraídas de matéria publicada pelo jornalista Elias Silveira, da Rádio Menina:

Primeira

Pelo menos dois vereadores estariam analisando e articulando um pedido de afastamento de Fabrício em função de seu envolvimento com o advogado preso.

Na argumentação, a lembrança de que Pazinato foi um dos grandes financiadores da campanha de Fabrício na eleição de 2014, quando concorreu a deputado federal. Foram mais de R$ 75 mil repassados como doação de campanha, dentro da legalidade, diga-se de passagem, não estivesse o advogado sob investigação de atividades ilícitas.

Quando Fabrício, na qualidade de suplente, assumiu a Câmara por um período, contratou Pazinato através de sua empresa de consultoria, pesquisa e trabalhos técnicos, pagando, pela cota de gabinete, mais de R$ 15 mil.

(Comento: pode tudo ser legal, dentro dos ditames e das regras estritas das normas estatuídas. Mas sinto uma coceira no bestunto imaginando como um doador de R$ 75 mil para a campanha do então candidato a deputado federal Fabrício de Oliveira e de outros R$ 100 mil agora por uma mera e simples oração para garantir a concretização de bons negócios (Jesus, um advogado de sucesso - e que sucesso! - precisa disso para assegurar sua atividade e fazer com que as coisas andem bem pro seu lado?), vá se mixar por R$ 15 mil numa assessoria em que seria perfeitamente dispensável, já que no gabinete do deputado titular (os funcionários todos ficaram lá) e na própria Câmara Federal há profissionais de sobra com capacidade e know-how para fazer isso com a proficiência necessária? Jogando esses valores pra cá e pra lá acentuam-se ainda mais as diferenças ilógicas entre uns e outros.)

Segunda

Fabrício divulgou nota informando que todas as doações à sua campanha em 2014 foram devidamente declaradas, as contas aprovadas pela Justiça Eleitoral e que é amigo da família do advogado Jader Pazinato.

Enquanto a luta se agiganta nos bastidores, vamos terminar refletindo com um versículo do livro de Timóteo: "O amor ao dinheiro é a raiz de todos os males. Algumas pessoas, por cobiçarem o dinheiro, desviam-se da fé e se atormentam a si mesmas com muitos sofrimentos".

(Comento: quando das acusações sobre o doador fantasma da campanha do Piriquito, logo após a eleição de 2008, deitaram e rolaram, mesmo após a Justiça Eleitoral inocentar o prefeito e aprovar suas contas, por ausência de ilícitio formal (o dinheiro estava lá, contabilizado e aplicado regularmente, sem má-fé). Agora querem um tratamento diferente do que deram - querem o silêncio ou o reconhecimento de que não houve nada: nem má-fé, nem ilícito e nem envolvimento ilegítimo. Então vamos aguardar o que a Polícia Federal dirá ao final das investigações para depois definirmos exatamente o que dizer e fazer sobre o assunto. Ah, dever-se-ia esperar o julgamento final, da instância derradeira pra tocar o assunto adiante? Não gostaram do próprio remédio, então?).

Finalmente disse Elias Silveira:

Nos bastidores corre a informação de que a empresa do advogado, dentro da proposta das “novas ideias”, seria contratada para agora iniciar a consultoria no processo de privatização da Emasa, a nossa Empresa Municipal de Água e Saneamento.

(Comento: ninguém duvide que a Emasa terá sua privatização encaminhada. Não mais pelo advogado citado, porque a situação fugiu do controle e tornou o fato impossível, sob pena de muito pau no lombo pela frente e dúvidas atrozes da sociedade. Mas a privatização é quase certa, pelo menos a sua tentativa na atual gestão. Como Fabrício e os outros candidatos garantiram que não o fariam, será, aí sim, uma mentira de campanha, que deixará todas os demais compromissos à sombra da dúvida).