Críticas ao ex-prefeito mais pelo que fez do que pelo que não fez

Uma situação, ao longo do governo de Piriquito, marcou as esquisitices da crítica popular e midiática: ele sofreu muito mais pelo que fez do que pelo que não fez. Implantou uma malha cicloviária inédita na cidade. Antes, foi pouco criticado por não fazer. Foi mais criticado por fazer - com referências a falhas de escoamento pluvial, qualidade do piso, universalidade do uso, falta de interligação em alguns pontos. Enquanto não existiam as ciclovias e ciclofaixas, pouco se falava. Nos governos anteriores, nada. Parece que essas necessidades e urgências surgiram como por encanto apenas no governo de Piriquito. 

Na saúde: ao assumir a administração do Hospital Ruth Cardoso, nas condições que todos sabem - sem entorno, sem sistema de esgoto sanitário, sem estrutura de pessoal, com sérias restrições arquitetônicas e sanitárias, sem um plano de gestão, enfim, só a carcaça e os equipamentos, houve a posse com riscos de prós e contras - mais contras do que prós. O RC não deveria ter sido construído como foi. E não deveria ter sido aberto como foi. Melhor teria sido permanecer fechado ou transformado num grande PA, como o da Barra, que funcionou sempre muito bem. Diga-se: de atendimento público, porém de gestão terceirizada competente.

Agora vejam a contradição: o Ruth, funcionando a peso de ouro, sustentado pelo município de Balneário Camboriú (R$ 3,8 milhões por mês), acabou sendo referência e destino de atendimento de meio mundo dos municípios vizinhos, principalmente Camboriú, de onde vêm mais de mil atendimentos de urgências e emergências todos os meses. Muito fora da realidade suportável. Apesar disso, objeto de críticas o tempo inteiro. Como dizem os policiais ao serem criticados na parte de segurança: estão criticando a única vaquinha que ainda dá leite. Ou seja, exceto o Marieta, o único local onde as pessoas doentes podem ter algum atendimento de qualidade mínima.

E pior: o Pronto Socorro, construído atrás do Ruth está pronto e com equipamentos. Pois bem. Não funcionou e não vai funcionar tão cedo, pela simples e boa razão (e nisso o Piriquito foi sábio - não abrindo, corrigindo o erro cometido ao abrir o Ruth e assumindo os riscos) de que não há como sustentá-lo se não houver aporte garantido do Estado no seu custeio. E esperar pelo Estado é tempo perdido. Ele não mantém nem os seus hospitais oficiais, que estão à míngua.

E por causa do Pronto Socorro não aberto, praticamente não houve nenhuma crítica. Vejam só como os focos da sociedade e da imprensa são controversos. É chocante: não ter é menos grave do que ter.

Agora vamos ao saneamento, ao abastecimento de água e à rede de coleta e tratamento de esgoto. Só na gestão de Piriquito, a rede de água e esgoto mais que dobrou. O qualidade do tratamento, com a nova ETE, subiu de 60% para 95% de eficiência. E o pau, que não cantou com nenhuma ênfase antes, cantou depois e canta agora, ainda. Questionamentos de todos os tipos, pressões de todos os lados e até um boicote doido a licenciamentos, nos quais se colocaram todas as mais variadas e intensas condicionantes - de modo que o sistema por inteiro ainda nem possui a LAO (Licença Ambiental de Operação). As críticas acerbas caem no governo de Piriquito - mas a LAO não existe desde sempre e o único que forçou obtê-la foi ele. E antes, quando a Casan  operava o sistema, não se tem conhecimento de verberações e acusações maiores e nem menores sobre isso. Sequer de fiscalizações mais rigorosas, notificações, multas ou até ameaças de interrupção. Aqui também pagou um preço caro por fazer. Se tivesse deixado como estava teria sido menos criticado, mas a cidade estaria invadida por cocô. E quem hoje acha que a cidade está poluída e que o sistema não funciona, teria razões sobejas para falar.

Mundo doido este da nossa BC de tantos contrastes.

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Sobre Piriquito e gestores como ele, prefiro citar Theodore Roosevelt: 

É muito melhor arriscar coisas grandiosas, alcançar triunfos e glórias, mesmo expondo-se a derrota, do que formar fila com os pobres de espírito que nem gozam muito nem sofrem muito, porque vivem nessa penumbra cinzenta que não conhece vitória nem derrota.” 

[Fonte: "The Strenous Life", Discurso realizado em 10 de Abril de 1899]
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