Água cheirosa no Calçadão da Central

A prefeitura resolveu lavar cotidianamente o Calçadão da Central e imediações com jatos de água perfumada, anulando os efeitos das porquices turísticas dos imundos de todos os dias. A medida é boa, sem eliminar outras soluções, como uma campanha educativa forte no próprio local (pouco adiante, mas, dizem, é o "politicamente correto" a fazer). 

Isso resultou em elogios e dúvidas. Não necessariamente nesta ordem.

O leitor Claudio O Tempo, jornalista com perfil no Facebook, escreveu:

Circula nos releases da Prefeitura Municipal de Balneário Camboriú a informação de que o Calçadão da Central irá passar por uma limpeza, com direito até a água sanitária e tudo, para desinfetar o espaço, utilizado de forma pouco exemplar por grande parte de turistas que mais parecem donos daquela via. A pergunta que não quer calar, no entanto, é: de onde vem a água para a realização dessa limpeza? A intenção pode até ser boa, mas choca-se com o interesse público de promover a economia e sustentabilidade. Depois fica para nós, da imprensa, o papel de convencer o morador de que, quando ele usa mangueira para lavar calçada está desperdiçando... a resposta vai ser: "se a prefeitura faz, eu também posso. Eu quem pago... e xiu..." Não é?

Sabendo de minha posição favorável à lavação terapêutica corretiva (é isso mesmo, Arnaldo?), conversamos a respeito e então observei:

Sou a favor da lavação do Calçadão com água cheirosa, como faz a administração atual. Mas o questionamento do Claudio O Tempo coloca o dedo noutra ferida: e a sustentabilidade no consumo de água? É água da Emasa? É de poço artesiano? É água de reúso? É água coletada da chuva? Como querer dar lição de moral (e até multar, como prevê a Lei 3533, de 26 de dezembro de 2012, aprovada na Câmara, de autoria do vereador Dão Koeddermann e JAMAIS seguida) se não há exemplo? Ser a favor, como sou, não invalida o questionamento.

(ACESSE A LEI AQUI)

A lei jamais foi aplicada, embora as mazelas de desperdício existam desde sempre. São quatro anos de papel inútil. A razão? Impossibilidade de notificação e fiscalização. Não há gente para isso. E novamente esbarramos na sanha legisferante inócua. Leis impossíveis de serem aplicadas por absoluta ineficiência ou insuficiência do poder público. E, claro, por desídia do cidadão. 

Talvez seja a hora de a Emasa ou o governo, como um todo, começarem uma bela campanha de motivação a respeito e até, quem sabe, investir alguns reais nisso. Seria muito bom.