TOME NOTA DE SÁBADO 28

Resumão nacional:

Foragido desde quinta-feira, após a decretação de sua prisão num desdobramento da Lava-Jato, o empresário Eike Batista tenta negociar, por meio de seus advogados, condições para se entregar à PF. O Ministério Público nega acordo. Acusado de pagar propina de US$ 16,5 milhões ao ex-governador Sérgio Cabral, Eike não tem curso superior e pode acabar preso em cela comum, o que ele tenta evitar. Enquanto isso, preso há mais de dois meses e com diversas provas contra ele, o ex-governador Cabral já cogita tentar negociar delação, mas MP pode resistir.

---

O governo prepara uma revisão de isenções e reduções de impostos que afetam a arrecadação do INSS. Em 2016, as renúncias somaram R$ 43 bilhões, quase o mesmo que o rombo da Previdência urbana.

---

A expectativa no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Planalto é de que as delações da Odebrecht sejam homologadas pela presidente da Corte, ministra Cármen Lúcia, entre segunda e terça-feira. Ontem, os juízes auxiliares do ministro Teori Zavascki, morto no dia 19, encerraram as audiências com os 77 delatores da empreiteira. Esse é o último passo antes da homologação dos acordos firmados por executivos e ex-executivos com o Ministério Público Federal. Cármen Lúcia exerce o papel de plantonista no recesso do Judiciário, que termina na quarta-feira. Nessa condição, responde pelas medidas urgentes e pode decidir sozinha. Essa legitimidade foi reforçada pelo pedido de urgência protocolado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Após essa etapa, o MPF pode usar as delações para iniciar investigações formais contra autoridades e políticos com foro.

---

Decreto do presidente Donald Trump proíbe a concessão de vistos para sírios e barra a entrada de refugiados de qualquer procedência por quatro meses. A imigração de países envolvidos com terrorismo fica suspensa por 90 dias. Trump disse que objetivo é impedir a entrada de “terroristas estrangeiros”.

---

O total de imóveis retomados por bancos por inadimplência no financiamento disparou com a crise. Segundo dados levantados pelo Banco Central, o valor do estoque em posse de instituições financeiras cresceu de R$ 6,5 bilhões em novembro de 2015 para R$ 9,8 bilhões no mesmo mês de 2016, alta de 49%. Só no Estado de São Paulo, pelo menos 14.184 imóveis foram tirados de mutuários no ano passado - em 2015, haviam sido 4.083.

---

Os partidos políticos estão se lixando para as penitenciárias. Nos 13 anos de PT, o número de presos foi multiplicado por 2,6. O PSDB governa SP desde 1995: mais de 220 mil presos e vigência plena do regime de isolamento. Não há políticas públicas para um encarceramento menos caótico e brutal.

(Fim do resumão nacional)


ASPIRAÇÕES POLÍTICAS

Coisas que não deixam dúvidas: as aspirações de políticos em evidência nas redes sociais. A intensa visibilidade, em todo e qualquer momento, de Leonardo Piruka e Carlos Humberto, o vereador e o vice, deixam entrever essas aspirações. De imediato, dois alvos: prefeitura e Assembleia Legislativa. Pra começar. É mesmo tempo de gente nova e dinâmica, com bom cabedal, sobressair seus projetos. A cidade precisa de multiplicar suas opções, sair da mesmice. É tempo de renovação acelerada.

“CHEGA PRA LÁ” EDUCADO

O convite confirmado de Fabrício Oliveira a Marcelo Achutti para ser seu líder na Câmara soou esquisito. Não pela qualificação, que Marcelo tem, mas pela contradição à tese das novas ideias. Afinal, a base aliada do prefeito elegeu sete vereadores, quatro do PSB (partido do prefeito) e três do PR (partido do vice-prefeito) – cinco deles estreantes e, digamos assim, legítimos representantes da nova safra da Câmara e dos preceitos ditados pelo prefeito na campanha. Mas o pior foi levar um “chega pra lá” educado do Achutti, que não aceitou. E assim o prefeito acabou estapeando sua própria gente. Por aí se vê que as nuanças do poder são confusas neste momento.

AS RUAS COM MATO

Muitas ruas continuam como estavam no final da administração anterior: cheias de capim pelas bordas. Aqui pra nós, deu tempo de mostrar a diferença, pois a equipe é exatamente a mesma. Se foi por má gestão, continua sendo. É o jeito de fazer. Parece que andou quebrando equipamentos usados nessas capinações. Isso demonstra a fragilidade do sistema e o erro de assumir a limpeza urbana, retirando da Ambiental. Como o sistema continua errado, esperemos pela continuação dos problemas.

OS CALADOS E MUDOS

Falando em Câmara, das sessões que assisti – poucas -, percebi com clareza que os veteranos continuam dominando os debates. Mesmo com o governo sob pressão e ataques, a base aliada entra muda e sai calada. Ninguém levanta a voz para defendê-lo, nem com a ênfase necessária e nem sem ela. Parece faltar informação aos vereadores. Aliás, municiar vereadores com informações e uma boa assessoria faz parte do jogo. Coisa que ninguém conseguiu fazer até agora, porque cuidam primeiro de dar cargos a apaniguados nem sempre competentes ou dispostos a assessorar com eficiência. Entretanto isso não funciona quando os vereadores simplesmente são calados por definição. Parece terem medo da própria sombra.