O jeito nada inovador de Fabrício Sincerão

Criaram um perfil no Facebook, atribuído, pela imagem, ao prefeito Fabrício de Oliveira, chamado “Fabrício Sincerão”. Ou é ele mesmo, o que se duvida pelas inferências lamentáveis das postagens (e porque ele já tem um, pessoal), ou é alguém tentando imitar “Dilma Bolada”, para dizer coisas de forma não oficial. Mas é ridículo pelo simples fato de ter as fotos do prefeito. Então, supõe-se dele. Por que lamentável? Quase todas as notas sugerem jargões contra o ex-prefeito Piriquito (“ex-pássaro e seu bando”, “o ex que só voa e não tem pernas pra andar de bicicleta” e coisas por aí). Se for assim que pretende se impor na sua administração, mostra que o tempo está sobrando e precisa arrumar serviço. Porque as postagens são contínuas, dando a entender que está plugado o tempo inteiro. É um direito dele e de quem queira ter perfis criticando ou atacando, se elogiando ou colocando fatos negativos ou positivos contra ou a favor de quem queira – o que não marca bem é o prefeito se mostrar preocupado em criticar o antecessor da maneira como o faz nas postagens do “Fabrício Sincerão”, de maneira sistemática a toda e qualquer ação que executa ou anuncia. E ficar ali o tempo inteiro só fazendo isso pega mal. Mostra falta do que fazer, como disse lá em cima. Tem assessoria pra isso, se quiser. E tá sobrando gente. Ademais, tem gente fã de Fabrício espalhada na Internet também com disposição de fazer igual – e sem comprometer o prefeito diretamente, apenas defendendo sua administração. Ou criticando o ex-prefeito e enaltecendo o atual. São posturas aceitáveis, do ponto de vista simplesmente democrático.

Mas é bom tomar cuidado. No governo anterior houve gente acusada de fazer isso a partir dos próprios computadores da prefeitura, detratando jornalistas e órgãos de imprensa. Há processos tramitando sobre isso na Justiça. Depende de provas finais e cabais, mas as primeiras investigações mostraram que as ofensas partiram, mesmo, de computadores da prefeitura. Só não se conseguiu provar o quem, ao menos de forma clara, mas as suspeitas foram claramente colocadas. Falamos aqui do jornal Página 3 e do jornalista Waldemar Cezar Neto, que foram os visados naquela ocasião.

Ademais, é uma inutilidade prática manter um perfil só para criticar o antecessor. Se quiser, pode fazer isso no seu próprio, mas não o faz, muito apropriadamente. Pelo menos ficaria sem cara de “fake”. Seria bem mais legítimo, embora ainda lamentável.