Nãos e sins da balneabilidade da Praia Central

O relatório das condições das praias em Santa Catarina, divulgado pela Fundação do Meio Ambiente (Fatma), na sexta-feira, 24, aponta que dos 214 pontos analisados, 146 (68,2%) estão próprios para banho. As coletas para a elaboração do 16º relatório de balneabilidade da temporada foram realizadas entre os dias 20 e 24 de março.

Para dizer se um ponto é próprio ou impróprio para banho, a Fatma analisa a presença da bactéria Escherichia Coli, presente em fezes de animais e humanos. São necessárias cinco coletas consecutivas para se obter o resultado. Quando em 80% das análises a quantidade da bactéria é inferior a 800 por 100 mililitros, o ponto é considerado próprio.

Os pontos analisados são nos municípios de Araranguá, Balneário Arroio do Silva, Balneário Gaivota, Balneário Camboriú, Balneário Da Barra do Sul, Bal. Rincão, Barra Velha, Biguaçu, Bombinhas, Florianópolis, Garopaba, Governador Celso Ramos, Imbituba, Itajaí, Itapema, Itapoá, Jaguaruna, Joinville, Laguna, Navegantes, Palhoça, Passo de Torres, Penha, Balneário Piçarras, Porto Belo, São Francisco do Sul e São José.

Nesta última análise, somente o Pontal Norte e a Rua 51 foram considerados impróprios, mais a Lagoa de Taquaras (onde ninguém se banha e nem dela se consome a água).

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As análises da Fatma, mesmo obedecendo às regras da Conama (regras técnicas), não são confiáveis do ponto de vista de informação. Explica-se: a coleta de água dá-se no dia 20 e a divulgação da balneabilidade é no dia 25. Não há lógica. Cinco dias depois qualquer coisa pode acontecer – piorar ou melhorar. Então, a informação fica furada. E acaba sendo falsa, enganosa. Ademais, já se afirmou “n” vezes que a poluição da orla de Balneário Camboriú adviria de tratamento deficiente de esgoto da ETE de Balneário. Não é. Repete-se: não é. Fosse assim, a impropriedade seria o ano inteiro, em todos os lugares, não sazonais. Já houve conflitos nessas análises, quando a Acquaplan fez algumas análises com a mesma metodologia nos mesmos lugares e os resultados foram díspares. Quando não, diametralmente opostos. Ademais, fosse assim também teria havido uma tragédia quando o tratamento era de apenas 40% de eficiência (até 2012). E sabemos que as análises não apresentaram isso jamais.