Um governismo e uma oposição fora de rota

Hoje me confrontei com algumas observações de mim para comigo e em conversa com alguns interlocutores – do governo e de fora dele. Simpatizantes e antipatizantes. Discutimos o papel de situação e de oposição, de quem é governo e quem não é. A conclusão foi única: governo é governo, oposição é oposição. Sem arreglos.

Unanimidade num absurdo de ver-se gente de proa do governo atuar como se de oposição fosse. Tendo benesses e tudo. Agem como se ser do governo seja apenas um detalhezinho sem importância e, dependendo dos enfoques populares, pode-se mudar de opinião e de posição. Governo que se dane. Pera lá! Vamos ajustar as velas de navegação. Primeiro, quem se elege por uma coligação ou partido e nas ondas de uma campanha vitoriosa pra prefeitura ou qualquer executivo assume a OBRIGAÇÃO de defender. Chama-se lealdade e fidelidade a princípios e quem não os possui, definitivamente não está apto a praticar a boa política. Ou cai fora e se declara independente. E se houver vínculos de cargos ocupados por companheiros, mande-os cair fora dos postos para liberar e legitimar a nova postura.

Mesma coisa ser de oposição. Dura enquanto não precisa de um favorzinho e é atendido. Às vezes até migalhinha de nada.

Pior ainda é os que continuam governo nos favores e oposição nos votos e até nas ameaças, tipo “ou atende e faz ou saio e voto contra”.

Como isso não se termina assim, num passe de mágica, corte-se a asa. Ou apoia e é governo ou deixa de uma vez, assumindo todos os ônus de perdas.

Fora disso é puro clientelismo e hipocrisia abarrotada de safadeza.