Oposição e situação, uma mistura heterogênea

Em tese, vereadores que deveriam ser de Oposição partidária e política na Câmara de Balneário Camboriú, levando-se em conta o cenário da eleição municipal de 2016:

1.Roberto Souza Júnior (PMDB)
2.André Meirinho (PP)
3.Aldemar Bola Pereira (PSDB)
4.Arlindo Cruz (PMDB)
5.Elizeu Pereira (PMDB)
6.Joceli Nazari (PPS)
7.Leonardo Piruka (PP)
8.Marcelo Achutti (PP)
9.Marcos Kurtz (PMDB)
10.Moacir Schmidt (PSDB)
11.Nilson Probst (PMDB)

Vereadores de Situação (governo):

1.Gelson Rodrigues (PSB)
2.Pedro Francez (PR)
3.Asinil Medeiros (PR)
4.David La Barrica (PSB)
5.Juliethe Nitz (PR)
6.Lucas Gotardo (PSB)
7.Omar Tomalih (PSB)
8.Patrick Nazário (PDT)

O que se analisa, a partir daí, com cenário “à vista d’olhos”:

A oposição não tem líder. O destaque maior, aquele que exerce, de fato, um papel mais forte é Nilson Probst. Dizem que por ter tido interesses diretamente contrariados na indicação de nomes para a Educação, que no governo Piriquito era sua preferência e onde, sabem todos, tinha forte influência. De qualquer maneira, ainda que por isso, tem um bom motivo e exerce um papel preponderante – e afinal, também valem as abordagens que faz, que mexem com o sistema.

Dia desses conversavam sobre a possibilidade de Leonardo Piruka (PP), ser indicado como Líder das Oposições. Parece que gorou – ao menos não há informação a respeito. E ficaria muito esquisita a situação: o PP, com dois de seus três vereadores, ocupando, simultaneamente, as lideranças do governo e da oposição. Nada mais contraditório e confuso para a cabeça do cidadão. E demonstraria, mesmo, um fisiologismo imperativo.

Ainda das oposições, sabe-se que o vereador presidente, Roberto Souza Júnior, há muito tempo não faz suas orações junto com o PMDB, desde conflitos existenciais dos tempos de Piriquito no governo. Nunca casaram suas posturas de modo consentâneo, mantendo brigas sucessivas durante todo o mandato.

O vereador Arlindo Cruz, por razões iguais às de Roberto Júnior, também não está alinhado à oposição. Pelo contrário, marca até sua saída certa do PMDB quando abrir uma janela que não lhe tire o mandato.

Joceli Nazari, do PPS, está mais conciliador a favor do governo do que outra coisa; André Meirinho e o próprio Piruka individualizam seus papéis do exercício da vereança sem se importar muito em fazer oposição ou não; o mesmo ocorre com Elizeu Pereira e Moacir Schmidt, um do PMDB e outro do PSDB.

Bola Pereira já se declarou abertamente de oposição. E agora, na qualidade de presidente municipal do PSDB, cristalizou o papel. Mas ainda é suave, não vai com força ampla, geral e irrestrita. Prefere pisar em chão seguro, sem arroubos desnecessários e sem muita euforia, embora com firmeza.

Marcelo Achutti (PP) virou líder do governo, com honras de chefe de estado. Usa a mesma veemência que usou na defesa de Piriquito. A mesma e às vezes até indo além.

Em compensação, dentre os que se posicionam como governistas, a vereadora Juliethe Nitz (PR), tem se demonstrado independente e infensa a qualquer tipo de pressão ou obrigação na base do “tem que fazer” ou “tem que ser”. Com ela parece não haver muitas amarras. A ponto de ter, por exemplo, apresentado indicação pedindo a revogação do decreto que instituiu a cobrança de tarifa progressiva de água, um assunto polêmico  por natureza.

Pedro Francez (PR), quando instado a defender o governo, chega bem. É veemente, quando provocado ou quando algum tema esquenta a pauta contra a administração. E não se peja em atacar adversários.

Os demais, embora fiéis aos princípios governistas, não são tão veementes, pelo menos não são agressivos, a ponto de chamar a atenção de jornalistas observadores de comportamento: Gelson Rodrigues, David La Barrica, Lucas Gotardo, Omar Tomalih ( todos do PSB) e Patrick Nazário (PDT), exercem papel calmo, parecendo não desejarem se incomodar com conflitos mais veementes em plenário e nem fora dele.

Asinil Medeiros (PR) é um comportamento à parte: ele é governista sempre, pois busca atender ao seu núcleo eleitoral e aos seus interesses políticos e pessoais. Quem fizer isso, tem seu voto e seu apoio. Às vezes escondidinho e sem muita clareza, mas tem. Mesmo assim, tanto no governo anterior como neste, puxa briga com quem se meter contra suas investidas e às vezes até sem motivos muito fortes. E nem importa se isso macula ou não sua imagem de situacionista. Na sua base ele sabe desviar desses espinhos.

Finalmente, a maior fragilidade da bancada de situação está no fato de nenhum ter servido para liderá-la, nem os mais veementes e nem os mais sutis – a ponto de ser indicado um de oposição de agora e de antes. Nem discutiram o mérito da indicação. Engoliram em seco, obedientes e humildes. Até tentaram protestar, mas silenciaram ante a irredutibilidade da indicação. Sentiram o dedo na moleira.