Brasília: festa e lástima

Narrativa anterior expressa a impressão de Brasília, vista há 32 anos e agora, na opinião deste jornalista.

Depois de mais de três décadas, retornar lá levaria no mínimo à imaginação de mudanças fundamentais. Para melhor, claro. Na realidade, Brasília continua uma cidade fascinante - com os problemas e soluções de todas. Mais problemas que soluções.

É uma cidade amalgamada por descendentes dos candangos. Eles estão em todos os lugares. O sotaque identifica. E é uma cidade sacrificada pela fauna política de todos os tempos. 

Disse-o noutras interveções que Brasília é uma cidade de fundos contrastes. Muito doida. Numa quadra de hotéis de luxo, por exemplo, na Asa Sul, o sistema viário é de um primarismo surpreendente. Primarismo e esculhambação. Os acessos a esses hotéis, quase todos, parecem ter sido improvisados à última hora por absoluta falta de rua. Parecem aleijões urbanos.

E se formos para outras regiões, como da Rodoviária, veremos coisas ainda mais chocantes. Urbanisticamente falando e socialmente também. Espantado, presenciei perto do Shopping mais antigo da cidade, também na Asa Sul, colado na regiao dos hotéis, um quase lixão na esquina. 

Mas o que mais impressiona é a falta de resolução nisso tudo. Brasílila é uma cidade relativamente nova (1960), planejada para nem ter cruzamentos e ter um fluxo de trânsito sem embaraços. De repente, começam a ocupar os espaços indevidamente e vemos ninguém tentando arrumar. 

Pois então. Mas  choque verdadeiro é outro e todos sabemos qual é: Brasília virou um homízio de ladrões de vários calibres. E com força de deliberar a seu favor. Estão em todos os núcleos de poder. 

Brasília é uma festa. Linda cidade de qualquer ângulo maior. E é uma lástima por seus detalhes nada lisonjeiros.