Bolsonaro está assombrado pela sua força eleitoral

Dele o papo não saiu. Mas, após entrevistá-lo, ouvi opiniões sobre sua eventual candidatura à presidência. Questionei a partir de uma realidade. Aliás, várias realidades aparentes e lógicas:

1) Com que estrutura ele liderá na campanha, se o próprio partido dele, o PSC, é pequeno e frágil?

2) Quem o apoiará? 

3) De onde buscará recursos para a campanha, se é frontalmente contrário a doações duvidosas (Caixa 2)?

4) A partir de Brasília e do Rio de Janeiro, até pode sair forte - mas com quem contará nos demais estados?

5) Na possibilidade de eleito (muita água corre por debaixo da ponte, ainda), como governará?

Confessaram-me pessoas chegadas a ele que está visivelmente assustado com a proporção que seu nome atingiu na escala de cotações. Para a sua condição, 12% é um número muito grande. Até 5% é um número muito grande neste momento. Muitos candidatos venceram as eleições tendo menos do que isso em épocas iguais.

No avião, entre Brasília e Guarulhos, uma moça e um rapaz, um paulista e ela nordestina de Aracaju, conversaram comigo a respeito da entrevista e ela disparou: "E você vota nele?". Pegou-me de sopetão. E disse-lhe o clássico: ainda não é tempo de saber. Depende do quadro da época. E citei o fator Dória como contraponto. 

E é assim: quem vota nele? E talvez seja isto que assuste Bolsonaro. Sua candidatura pode ter uma dimensão maior ou menor. Mas o pior cenário, o mais complicado, talvez seja a possibilidade de sua vitória. Se chegar lá (conseguindo ser candidato), como governará? Terá base parlamentar suficiente, pois sem ela é impossível governar? 

Essas incógnitas rebentam.