As leis atuais não protegem; por que não mudar?

A mobilização numa greve geral anunciada para esta sexta, 28, fica entalada nos seus próprios enunciados, em contradição com as ocorrências: na luta por direitos, ferem o elementar direito de ir e vir. Interrompem rodovias, piqueteiam aeroportos, agridem quem não deseja parar ou tenta usufruir dos serviços públicos, forçam a vontade alheia. Por um direito, rompem vários.

Inexiste dúvida: essa greve é das federações com cores vermelhas e interesses confusos. Imagina-se que, se as reformas da Previdência e as trabalhistas não ferissem os interesses sindicais, a greve nem seria cogitada. Bastou retirar o Imposto Sindical e reduzir o quase ditatorial poder dos sindicatos (quase 17 mil no Brasil) e a guerra foi declarada.

É praticamente certo: a reforma trabalhista vai passar. A da Previdência, há dúvidas. Numa, é maioria simples. Na outra, quorum qualificado - 308 votos ou três quintos da Câmara (513 deputados). Na primeira votação, a reforma trabalhista passou com 297 votos. Suficiente para um caso, insuficiente para outro. Por isso o governo está manobrando ainda. A calada da noite vai funcionar. 

Aliás, sempre é bom recordar: tanto Dilma quanto Lula preconizaram a necessidade de mudar a Previdência. Só não tiveram coragem de fazer. Como Lula, quando presidente, criticou o grevismo do funcionalismo federal, admitindo o corte de ponto. "Se não cortar o ponto dos grevistas, é férias", disse Lula. 

As controvérsias são naturais. Entretanto, o Brasil tem hoje mais de 14 milhões de desempregados, flagrantes de trabalho escravo, salários aviltantes, relações conflituosas de trabalho, injustiças sociais por todos os cantos - fatos reais que a atual legislação não resolve e não alivia. No que ela é boa, precisamos saber.