O prefeito não vive escondido

Em poucos dias, o prefeito Fabrício Oliveira vai anunciar, com detalhes, medidas ditas de modernização e melhoria da cidade em todos os setores, principalmente mobilidade e ocupação de espaços. Seriam, dizem, mais de 80 pontos a serem atacados, em todos os setores e regiões. Afirma-se que mudarão, se concretizados, a cara urbana da cidade. Tomara.

A discussão do Plano Diretor, em audiências públicas que serão realizadas no sentido de adaptá-lo melhor às realidades de Balneário Camboriú, é um caminho mais consistente. Entretanto, há coisas que precisam de adaptação e mudanças, sem que para isso passem pelo Plano Diretor, até porque ele não mudará isso. São simples casos de obras inacabadas ou por fazer. 

Ainda que tudo cruze por uma onda de agressividade dentro do próprio governo, em que o titular do Planejamento, o engenheiro Edson Kratz, idealizador dos projetos, é alvo constante e diário de pancadas de todos os lados. Em conversa com ele, fica-se sabendo de sua opinião forte. Não é muito, digamos assim, polido com alguns próceres políticos, a ponto de afirmar que vereador deve entrar na fila pra falar com ele, como qualquer pessoa. Isso é muito bonito, mas pouco prático. Pode harmonizar, se quiser (e deve), considerando-se que o poder é político. E é melhor conviver bem com políticos do que ficar fustigando até companheiros com procedimentos pouco republicanos. A vontade de Edson Kratz não é consuetudinária. É um bom sujeito com fama de turrão. E ele sabe disso mais do que ninguém. Ele se conhece.

Então, para contornar eventuais embaraços, melhor conviver bem. Nem precisa conceder ou abrir muito espaço, apenas o mínimo. Há vereador, por exemplo, que uma simples alisada no lombo resolve, embora haja aqueles a quem, se der a mão, querem o braço e vão avançando, até o limite do absurdo. E a partir daí, surge o conflito.

Voltando à vaca fria: os projetos que serão mostrados pelo prefeito numa coletiva próxima tendem a gerar solução de conflitos urbanísticos e a organizar melhor nosso conceito de cidade, segundo dizem. E aí, além das rabugices do Edson Kratz, o prefeito precisa ser mais enérgico, impositivo, menos leniente consigo mesmo. E então o caminho inverso. Negar mais, cumprir mais, satisfazer mais. Fazer o que diz e dizer o que faz. Nem sempre isso acontece. Porque, finalmente, o poder político é o prefeito. Ele É o poder. O general a quem todos os gestores municipais devem obediência, sem servilismo, sem esfrega-esfrega. Falando claro e na lata o que acham errado, mas cumprindo os projetos sem titubear, depois de delineados e decididos. E o prefeito precisa ter autoridade dura e definitiva de fazê-los cumprir. Ou não funciona.

Há uma vantagem final, percebida por nós: o prefeito reconhece críticas e se conduz por resolvê-las de imediato. Já fez isso várias vezes. E ainda agradece as críticas. E não vive escondido, o que é bom.