Lixo nas ruas, cidadania zero

Cenas de entulhos, móveis e eletrodomésticos jogados em calçadas são normais na nossa cidade. Cenário que se repete em outros locais e se torna assíduo no dia a dia da população. Nem importa se no centro ou nos bairros. É geral.

Sem generalizar, nossa gente precisa se readequar a regras mais civilizadas. Houve tempo – e parece que ainda é tempo disso – em que as secretarias municipais saíam por aí a recolher móveis velhos, eletrodomésticos e entulhos caseiros jogados nas calçadas e nas ruas num dia, às toneladas, e no outro dia, voltando aos mesmos locais, encontravam tudo de novo lá, como se limpeza alguma houvessem realizado.

O mesmo acontece com o nosso rio e os cursos d’água de maneira geral: retira-se daqui algumas toneladas de lixo de todo tipo, de fogões a pneus, de carcaças de veículos a sofás, fora os plásticos, sacos de lixo cheios, coisa e tal. Tira-se num dia e no outro dia está tudo cheio novamente. Não há quem aguente.

Por isso é temeroso culpar o poder público, exclusivamente. Ele precisa estar preparado para isso, mas a questão é de educação. Não há estrutura que suporte isso. Veículos, equipamentos e muita gente são usados para apenas limpar sujeiras, cujo destino poderia ser cuidado por quem precisa se desfazer. Se forem produzir entulhos, avisem à autoridade ou contratem quem recolha e dê o destino devido. Isto é o normal, é a rotina civilizada. Mas parece que os cidadãos preferem furar tudo e, na hora em que isto traz consequências, como o bloqueio de saídas de água e as enxurradas atingem suas casas ou o lixo acumulado produz doenças, responsabilizar o poder público. É mais fácil e mais confortável.

A imagem da matéria é da Rua Inglaterra, esquina com a Rua Indonésia, na subida do Cristo Luz. Vergonha alheia.