Hospital: Estado continuará ausente, escrevam

Ontem (16), o prefeito Fabrício recebeu o secretário da Saúde Vicente Caropreso. Tema único: ajuda do Estado ao Hospital Ruth Cardoso. Para sensibilizá-lo, o prefeito entregou ao secretário um relatório com os atendimentos do Ruth Cardoso nos primeiros quatro meses de 2017: 60% dos atendimentos são de pacientes de outros municípios; 73% dos custos do hospital são arcados por Balneário Camboriú; 25% pelo governo federal, via SUS; 2% pelo Estado (algo em torno de R$ 70 mil por mês, considerando-se uma despesa de R$ 3,5 milhões). Esses dados são conhecidos desde sempre. O Ruth, “inaugurado” (não é  bem o termo) em final de dezembro de 2008 por Rubens Spernau e “adotado” por Piriquito – lá também com promessa e esperança de ajuda do Estado. Dois erros: construir um hospital municipal sem se saber como mantê-lo, de portas abertas e 100% SUS. O outro erro, abri-lo.

Veja-se que o hospital aberto e atendendo rendeu muito mais críticas ao governo anterior do que o Pronto Socorro, construído, equipado e mantido fechado. Até porque, no caso do PS, se Piriquito abrisse, acabaria por assumir a sua manutenção e seu custeio total. E também porque, como no caso do hospital, ajuda não viria de lado algum. E dobrariam seus problemas e críticas. E não virá, se abrirem. Como não virá para o hospital. É muita ingenuidade acreditar nisso.

Não apenas o Estado ficará de fora, mas os municípios vizinhos usuários do hospital em larga escala, também. Por quê? Porque se tiverem que investir em saúde e em atendimento, farão em suas unidades, não no Ruth. Isso nos parece bem lógico.

A comprovação disso está na afirmação de Caropreso, segundo matéria da assessoria do prefeito: “A Secretaria está aqui para ser parceira, para analisar e traçar toda essa situação de posição estratégica do hospital e ver até onde o Estado poderá investir, principalmente em equipamentos, modernizando toda sua capacidade de diagnóstico e procedimentos, bem como em serviços de alta complexidade”.

Ora, desde a abertura do hospital, pergunta-se, o Estado, tantas vezes acionado em vários momentos, ainda não sabe como ajudar o Ruth Cardoso? Não encontrou “estratégias”? E, na verdade, o hospital precisa é de segurar o seu custeio. E nisso, ao que tudo indica, o secretário não tocou. Colocar lá dentro equipamentos modernos e transformar o hospital em alta complexidade só ensejará mais demanda. E segurar essa demanda ampliará ainda mais as despesas. É bem simples.

Finalmente, se, em sete anos de governo Raimundo Colombo não se encontrou um caminho para ajudar o Ruth, pode-se supor que agora acontecerá um milagre?

Continuamos na nossa posição: ajuda ao hospital RC? Esqueça, Fabrício.