A verticalização urbana, seus méritos e deméritos

Um debate interessante, reportando discussão sobre verticalização da construção civil em Jaraguá do Sul, onde há limites de altura nos prédios urbanos, conduz a um raciocínio necessário sobre critérios de adensamento urbano ou o seu controle. Diz a matéria, difundida no Facebook pelo engenheiro Osmar Gunther, com participação de vários profissionais do ramo, a partir de matéria veiculada no jornal Correio do Povo, de JS. Tomei a liberdade de reproduzir: 

Fala-se em prédios de 18 a 30 andares para Jaraguá do Sul (jornal Correio do Povo, 23/05/14). Existe muita coisa sobre verticalização. O dr. João Carlos Nucci, professor da UFPR, é um conhecido pesquisador e estudioso do tema. Ele demonstra que acima de quatro pavimentos o ganho em área livre é desprezível, à medida que vai se verticalizando um prédio (mantendo-se fixas as áreas construídas e do terreno). Derruba, assim, um mito muito usado pelo mercado imobiliário e por empresários da construção civil. Quem é do ramo, vai entender a figura ilustrativa da matéria e o cálculo.

Christian Roberto Vota Pelas contas o coeficiente ótimo fica nos 12 andares, acima disso o ganho é ridículo.

Osmar Günther Coeficiente de aproveitamento tem a ver com densidade. Gabarito de altura (verticalização) é outra coisa. Hj o limite máximo é 12 pavtos.. Mas isso depende de uma fórmula q vincula o gabarito de altura à largura da via e aos recuos e afastamentos da edificação. Em suma, qto. maior a largura da via e maiores os recuos e afastamentos, mais se pode subir, até o limite de 12. Já qdo. se trabalha com densidade, aí deve-se considerar a infraestrutura urbana e a capacidade de absorção do sistema viário.

Vilmar Vidor Eu queria deixar um tópico para reflexão, considerando o debate acima. E' importante saber QUAL ou QUAIS áreas na cidade podem ser adensadas. Raciocinemos no gabarito de altura atual de Jaraguà em 12 pavimentos com os coeficientes e taxas existentes. As areas (centro e periferia imediata ao nucleo central) em discussão para adensar tem SISTEMA VIARIO folgado ? O volume de gente e de carros, caminhões, onibus, etc., circulará normalmente se a área for adensada ? Se a àrea for adensavel, se o povo entender que sim, se a prefeitura entender que não vai engarrafar/engessar a cidade, ai seria possivel abrir os coeficientes e taxas.

Vilmar Vidor A questão da altura. No meu ponto de vista a altura é perniciosa por varias razões. A primeira delas, um poste de 25 ou 35 andares na cidade é uma agressão física e estética e fora da escala humana. Eu imagino a massa de vários edifícios em cidades em fundo de Vale como as nossas sem ventilação e aeração abundante, principalmente no verão. Todo engenheiro sabe que concreto armazena calor, muita gente não sabe e não entende porque não pode concretar a cidade. Um conjunto de torres numa área especifica, uma área ventilada, não no núcleo central e que tenha infraestrutura adequada é algo que se pode discutir e chegar a consenso. Entretanto LARGAR a coisa como fizeram em Balneário, Itapema e agora em Blumenau é ESTRANGULAR e avacalhar com nossas cidades.

Vilmar Vidor Outra coisa. Como as reformas de PD são, geralmente, mal feitas. As regulamentações e os detalhamentos as prefeituras não fazem, PRINCIPALMENTE OS ZONEAMENTOS, aquilo que falei ali encima. Artigos e parágrafos são mal redigidos, não claros, e ai, os sinduscons da vida se atiram de cabeça. Eles se deitam nas falhas do regulamento legal para pintar e bordar nas suas empresas. Se você observar Osmar Günther, o norte da ilha de Floripa e todo o resto, Balneário, Itapema, Joinville, Blumenau é comandado, no que concerne a construção civil pelos sinduscons. O que eles decidem, os prefeitos geralmente endossam e depois o partido recebe volumosos mimos. Os Conselhos de Plano Diretor, de Patrimônio Histórico, de Administração Urbana, etc, sempre tem um ou mais representantes do Sinduscon. Muitas vezes os conselhos são cooptados a determinados interesses que não os legítimos para o conforto e a qualidade de vida de TODOS os citadinos.

Carolina Veiga A matéria é minha sim, Osmar. O discurso oficial na ocasião é justamente aquele que o Juliano Girolla resumiu ali. Aumentar o gabarito para evitar o expansão do perímetro urbano, permitir um maior adensamento populacional e assim diminuir os custos públicos com a manutenção das estruturas de serviços.

Vilmar Vidor E' o mesmo discurso de sempre. Puro engano. Quais as medidas que impedem a expansão do perímetro urbano? Quem impede a desenvoltura de loteadores na área rural ? Qual a relação direta de adensamento no centro e bloqueio de expansão do perímetro urbano?

Vilmar Vidor Vias e estradas estão prontas, basta mantê-las, portanto nada minimiza e não existe nenhuma relação com o adensamento central. Pelo contrario, o adensamento central carreia recursos na manutenção justamente da área central que se torna mais cara. Água potável, esgotos, coleta de lixo, reciclagem, energia, mais trânsito, mais poluição, mais, mais. O raciocínio apresentado por Carolina Veiga é falso, é fraco !!

Ruth Borgmann É aquela velha história de querer fazer a vaca produzir mais leite que pode. O que querem fazer aqui, uma Meia Praia ou Itapema da vida? Um horror! Uma selva de pedra!

Ruth Borgmann Nada de espaços livres, espaços para árvores, espaços para gente circular, para o sol e o vento passar, espaços para se ver as montanhas...Como tudo na vida os espaços também tem limites de ocupação de acordo com sua capacidade que deveria ser calculada harmoniosamente, privilegiando o bem estar do ser e não os interesses imobiliários.