As aparências de políticos nas eleições: o dizer e o fazer

A simples movimentação nas mídias sociais e algumas conversas por aí indicam com clareza a intenção de candidaturas em 2018 na região. Pelo menos duas estão sendo cogitadas: a do vice-prefeito de BC, Carlos Humberto Metzner Silva (PR) e do ex-prefeito e atual Secretário Executivo da Agência de Desenvolvimento Regional, Edson Renato Dias.

Imaginando-se a postulação de Leonel Pavan de ir à reeleição, condição mais favorável neste momento, já são três da cidade na disputa eventual. Há mais pretendentes e se a intenção se concretizar, haverá até inflação de candidatos. Demanda excessiva, se supormos outros nomes de cidades conurbadas: Itajaí, Itapema, Camboriú.  E diante disso, uma projeção simples: elegeremos poucos ou nenhum. Atualmente a região inteira tem apenas um deputado estadual – que saiu do mandato para ser secretário de Estado. Então, temos nenhum. Não é uma situação confortável do ponto de vista político. Mostra fragilidade e imaturidade dos partidos, mais preocupados em fortalecer suas bases com candidaturas inviáveis. Pode-se até entender o instinto de sobrevivência de arregimentar votos em torno de seus nomes e, assim, valorizar seu contexto para outras demandas político-eleitorais. Contudo, essa inflação de nomes só dilui nossa representatividade.

O sul do Estado elegeu sete deputados estaduais. O partido mais forte do Brasil, de SC e da região, o PMDB, entretanto, só elegeu originalmente em 2014 em todo o sul, de Florianópolis para baixo,  a deputada Ada de Luca – que não exerceu o mandato na prática. A coligação do PMDB com DEM, PRB e PSD só favoreceu DEM e PSD, no sul do Estado. Ou seja: não é o poder de um partido que conta, é a aparência de suas propostas ou a empatia de suas lideranças. 

Donde se questiona a razão pela qual alguém se candidata ao cargo de parlamentar e não exerce a função. É legítimo e aceitável? O eleitor deve julgar.

Que pensem melhor (é pedir muito?) os próximos candidatos: elejam-se para terminar o mandato. Dá um nó na cabeça do eleitor ver um candidato se eleger com um projeto e não exercer o mandato e, portanto, romper a palavra. Às vezes, até, abandonar o mandato no meio para jogar-se noutra eleição. Novamente, cadê o projeto compromissado na campanha?

Quem sabe a balbúrdia eleitoral do Brasil esteja aí, além da insensatez dos próprios eleitores em escolher errado sempre: cada um interessado mais em carreirismo político.