O que acontecerá com o Hospital Ruth Cardoso?

O vereador Aldemar Bola Pereira (PSDB), levantou o assunto na Internet sobre o Hospital Ruth Cardoso e sua gestão, que está desafiando a administração municipal há muito tempo quanto á sua manutenção e custeio. O governo Piriquito segurou o peão na unha durante toda a sua gestão, aos trancos e barrancos, mas de portas abertas. Tentou saídas, como a gestão concedida e falhou. Tentou ajuda do governo do Estado e ela não veio (e não virá em tempo algum; o Estado não cuida nem dos hospitais dele). Tentou obter ajuda com os municípios vizinhos e não conseguiu. O jeito foi continuar atendendo, até pelas circunstâncias de ser um hospital de portas abertas (ao final, opinamos a respeito).

Na postagem de Bola, vários internautas participaram, com ideias e conceitos interessantes a respeito, que dão o que pensar. Inclusive de gestores de saúde respeitáveis, passados e atuais.

Vale a pena ler. O Bola colocou: “O atendimento a pacientes dos municípios vizinhos custa R$ 30 milhões ao ano para Balneário Camboriú”. A partir daí, vieram os comentários:

Eduardo Marques Martinez - Sendo BC, um centro comercial, desta microrregião, Camboriú, quase só uma cidade dormitório, para trabalhadores de BC, esse valor é ínfima, além do mais a verba da saúde é, ou deveria, ser repassada pelo governo federal.

Estanislao Reitz Filho - Só lembrando que quem toca a economia de BC, são em grande número, os moradores e trabalhadores de Camboriú, que desenvolvem suas atividades em BC, portanto é muito justo que a cidade de BC, cuide da saúde de seus trabalhadores, certo? Lembrando também que BC é uma cidade turística e que a mão de obra é grande parte de cidadãos Camboriuenses.

Vera da Silva - Não é justo passar para outros municípios desfrutar. Pois pagamos impostos e outros e os vizinhos ? Eles não gastam na saúde e fazem obras em suas cidades . Está na hora do prefeito dar um basta nisso. Ou as cidades vizinhas ajudam a pagar ou não terá atendimento a eles. Temos que agir pela razão e não politicamente. Rute vem se arrastando desde que foi aberto. Está na hora de vereadores e prefeito tomar uma decisão.

Thiago Fernando Sfendrych - Porque toda cidade que bate no peito e assume disponibilizar um hospital regional sempre vai pagar a conta sozinho. É uma espécie de condomínio sem condômino para fazer cobranças.

Mariana Winckler - Não existem recursos investidos​ por caridade. O dinheiro do SUS está com o cidadão e com ele vai, independentemente do local onde ele é atendido. As pessoas precisam aprender como se dá a gestão financeira e orçamentária no SUS antes de fazer tais afirmações.

Bola Aldemar Pereira  - O governo municipal quer terceirizar o Hospital Ruth Cardoso porque não recebe o dinheiro como deveria, conforme nos foi informado em reunião na Câmara de Vereadores.

Mariana Winckler - Quem está devendo? O governo do Estado ou o MS?

Bola Aldemar Pereira - Os municípios vizinhos.

Mariana Winckler - Não existe isso. Não existe a possibilidade de repassar dinheiro entre fundos municipais de saúde. Esses atendimentos já foram pactuados e o recurso referente aos mesmos é pago pelo Estado ou MS diretamente na conta de quem atende (neste caso, BC). Quando se quer privatizar, as justificativas vêm de todos os lados.

Bola Aldemar Pereira - Acho que você podia dar uma aula para eles.

Mariana Winckler - Tô muito longe meu amigo. Na verdade, estou tentando aprender como os ingleses fazem para poder ajudar meu país mais tarde. Vocês têm bons especialistas aí.

Bola Aldemar Pereira - Parece que não temos.

Céres Felski - Mariana, a pactuação entre os municípios para atendimento no Ruth não foi feita, portanto o município (Camboriú) deve, sim. Deve quando fechou o hospital e deixou seus munícipes sem atendimento e sem pactuar com outro município. A realidade hoje não é mais a que você encontrou.

Mariana Winckler - Culpa do gestor que não pactuou. Cobrem a dívida antiga, seja quem for o devedor. Mas isso não justifica a privatização.

Céres Felski - Não ha nada firmado de privatização. Há sim um estudo para definir o melhor modelo de gestão a ser aplicado. E quanto a cobrar dívidas antigas: você tem acompanhado o noticiário nacional? Não é bem assim que a coisa funciona. Mais do que apontar culpados, queremos encontrar soluções que viabilizem o funcionamento do hospital. Aliás, ninguém falou em privatizar. O compromisso do governo é que o Ruth é e continuará sendo um hospital do SUS. O que se discute é o modelo de gestão.

Mariana Winckler - Essa é uma boa discussão. Existem experiências boas e ruins com outros modelos de gestão, especialmente em SP. A literatura científica pode mostrar isso com facilidade. Sei que as coisas não estão fáceis, Céres. Também sou refém deste caos chamado Brasil. Estou aqui só há 10 meses. Só posso dizer que não existe fórmula milagrosa para gerir o SUS. Temos um problema sério de má gestão e desperdício de recursos. Só não deixem privatizar.

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Opinião:

Desde o começo a realidade nos massacra: foi um erro brutal conceber o hospital no modelo que é e construí-lo, apesar de muitos pontos de vista contrários. Outro erro foi abri-lo. Não deveriam. Vejam o caso do Pronto Socorro: queriam, o Estado construiu, equipou e ele não abriu. Quantas críticas houve por não ter aberto? Uma ou duas, se tanto. E nem tão ferozes assim. Repetimos o que já dissemos: o ex-prefeito foi menos criticado por não ter aberto o atendimento no Pronto Socorro, do que pelo atendimento no Ruth. E não abriu o PS porque tinha absoluta convicção de que teria de assumir tudo, pois o Estado não cumpriria a sua parte, como não cumpre até agora. E teria de atender municípios vizinhos, que também não contribuirão além do pactuado – e pactuação não implica em atendimentos de urgência e emergência sem internação. E se Fabrício abrir o PS vai ver o que é bom pra tosse.

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De qualquer maneira, a discussão é boa. Se bem que, lá atrás, muitos dos que hoje buscam soluções de parceria quase desesperadas (porque perceberam o tamanho do problema), diziam, bem alto, que os recursos imensos da cidade dariam para manter o RC com um pé nas costas. Nada como um dia atrás do outro e uma noite no meio.