Joesley pode ter razão, mas é só um dedo-duro

Sob acordo de leniência, portanto livre de punições, Joesley Batista vai com fúria pra cima de Temer. Como se suas benesses e as de sua empresa, sob pressão de políticos de todos os partidos, tivessem nascido em 2016 ou da saída de Dilma pra cá.

Reclama da fome de propinas por parte de vários políticos, mas pouco cita os principais, nos 13 anos de mandato de Lula e Dilma. Aliás, evita ao máximo.

Os que justificam a atitude de Joesley enaltecem o poderio de sua empresa. Se isto é mesmo verdade, parece ser improvável que esse poder fosse suficiente para obter o crescimento obtido, pois precisou recorrer a fantásticos R$ 45 bilhões de financiamentos do BNDES para investir no Brasil. Agora, para pagar uma multa pelo acordo de leniência, terá que vender parte das empresas do grupo. A pergunta é a mesma de tantos grupos econômicos: multiplicar-se tanto e ainda ficar com dívidas e precisar de recursos de bancos de fomento não é um contrassenso e uma demonstração de ganância e de fome de poder? Por que não crescer apenas o possível e andar com as próprias pernas?

O que se quer dizer com isso é que não há santos nisso. Joesley está apenas se vingando de Temer, que o confrontou depois da divulgação da gravação que fez com ele e da divulgação que causou os embaraços conhecidos para o presidente.

Ademais, como disse Dilma, difícil acreditar num delator que, ao invés de apenas comprovações das falcatruas de que participou (e, portanto, tem culpa igual), conceitua e supõe valores éticos dos outros – e nunca os seus.

E também é fácil fazer o que faz e dizer o que diz, estando livre de punição. O que é, convenhamos, um absurdo, mesmo porque se omitiu durante todo o tempo em que foi explorado. Por que não acusou lá atrás? Simples: porque estava se locupletando. Criminoso como todos. Enquanto lucrava, ninguém era safado e nem chefe de quadrilha. Pelo contrário, com eles lidava com desenvoltura e aceitava as chantagens e achaques. Tanto que pagava sem bufar, até que se encrencou.

Não passa de um dedo-duro do mais baixo nível, distante daquela pose aristocrática e daquele rostinho roliço. A propósito disso e só para complementar, uma postagem do Twitter do humorista Hélio de la Peña:

helio de la peña (@lapena): Temer é corrupto, fato. Mas Joesley ficou bilionário durante o governo Lula corrompendo só o futuro vice da Dilma? Estranho...