É preciso investir certo em água e esgoto - dinheiro tem

A prefeitura publica matéria ressaltando o fato de a tarifa de água cobrada pela Emasa ser a mais barata da região (ACESSAR A MATERIA AQUI). Dá pra ir mais longe: é das mais baratas do Estado, se não a mais barata. Inclusive do Brasil. Todavia há uma questão: qual a glória disso? A tarifa ficou por mais de cinco anos sem reajuste e então, quando resolveram reajustar, descobriram que há limites para isso.

E aí geraram a tarifa progressiva – já existente, mas ainda não cobrada de condomínios, que pagavam o consumo calculado em cima dos 10 metros cúbicos mínimos de cada unidade condominial. Ou seja, o cálculo passou a ser feito em cima do volume de entrada de água pelo hidrômetro principal. Como a maioria dos prédios não possuía e ainda não possui hidrometração individualizada, entraram na tabela. Tipo quanto mais gasta, mais paga. Não que isto esteja errado, afinal a tabela progressiva foi instituída justamente para inibir o consumo predatório ou a gastança de água tratada para lavar carros, lavar calçadas, regar jardins e coisas afins e também para estimular o reuso e o aproveitamento de água da chuva para fins menos nobres – como até a descarga dos sanitários. Entretanto, dever-se-ia, ao impor a tarifa progressiva para condomínios, refazer os índices a partir do segundo estágio por diante, para reduzir o impacto, pois os custos foram á estratosfera e ficaram demasiados. Foi por decreto do prefeito de então, premido por imposição do Ministério Público. Decreto que, diga-se, pode ser revogado a qualquer momento. 

Na matéria, a prefeitura afirma que muito do aumento de consumo pode estar em vazamentos internos. O que é verdade, mas não é só. O desperdício é um mal maior. Além do que, considerando-se a produção de água tratada temos um quadro assim: 1.000 litros por segundo, dos quais 180 litros vão para Camboriú e outros 30% (333 litros por segundo) são perdas do sistema – que incluem vazamentos e não apenas nas residências, mas ao longo das tubulações e na própria filtragem e lavagem de filtros. Consideremos, neste caso e então, que apenas metade do que é produzido chega às unidades consumidoras de Balneário Camboriú.

O que a Emasa – ou o governo – precisa fazer é construir mais reservatórios de grande capacidade. Os atuais comportam em torno de 15 milhões de litros o que, considerado o consumo diário médio de 35 milhões de litros/dia “em tempos de paz” (nas temporadas mais que dobra), daria para oito horas, se o sistema parasse por inteiro. E também, para melhorar ainda mais, financiar a instalação de reservatórios domiciliares (caixas d’água) de capacidade mínima de 1000 litros (considerando-se que uma pessoa gasta, em média por dia, em torno de 150 litros) – que, numa família de três pessoas, daria para dois dias, com folga – quase três.

O ideal seria que tivéssemos mais duas vezes a capacidade de reservação – ou 45 milhões de litros.

Com o dinheiro que tá sobrando no orçamento é até fácil. São R$ 76 milhões/ano, com um superávit de pelo menos uns R$ 25 milhões mensais. Sobrando. O difícil é achar locais. Mas se procurar, existem. E o dinheiro dá pra financiar também a reservação domiciliar – inclusive a fundo perdido, pois significará economia e garantia de segurança para o sistema.

Finalizando, não há milagre e nem glórias em cobrar a tarifa mais barata. O ideal será, sempre, cobrar e responder satisfatoriamente ao serviço – com quantidade e qualidade.