Não procurem na política santos para canonização

Senador perene Jaison Tupy Barreto nos brinda com este escrito:

A Coruja do Conhecimento

Sem falsos moralismos entendo que deveríamos ter o cuidado de não procurar na Política, santos pra serem canonizados.

Não é o lugar mais indicado para isso, convenhamos.
Também é recomendável tratar a honra alheia como se fosse a sua.

Em tempos de crise como a nossa, de paixões exacerbadas, enormes interesses inclusive escusos em conflito, é aconselhável cautela.

Em 1981 em discurso de abertura do II Simpósio Nacional de Assistência Médico-Previdenciária, eu abordava esses cuidados.

“Aos que possam me criticar pela audácia de repetir, oito anos depois, no Senado Federal, o encontro de interesses tão antagônicos, devemos responder que a democracia se pratica à plena luz, no estimulo ao diálogo dos opostos e que a vulnerabilidade à crítica é uma vicissitude dos que experimentam a história.

Não nos penitenciaremos, por isso mesmo, do nível intencionalmente abstrato deste discurso inaugural. Como propugnava JACQUES LACAN, nosso homenageado nesta oportunidade, a falta de clareza permite ao ouvinte a tarefa de complementar sua compreensão com os conteúdos de sua própria subjetividade.

HEGEL descreveu o fato da teoria ser sempre uma complementação da pratica afirmando que “a coruja do conhecimento só levanta vôo quando as sombras da tarde se põem no horizonte”. A interpretação desse conteúdo só se realizou, mais tarde, no trabalho de seus vulgarizadores.

Certa vez lhe perguntaram por que não fizera da clareza o meio de transporte eficiente para cavalgar sua filosofia, e ele informou:

“Eu tive de fazer-me intencionalmente obscuro, para não ser entendido pelo vulgo, em tempos de delação. Nunca se sabe se o próximo individuo a bater á nossa porta será o merceeiro ou o guarda do imperador”.

E ALBERT EINSTEIN, que era judeu, que era alemão e que era cosmopolita, em grande lição de tolerância e humildade, que acabou por caracterizar toda a sua existência, no momento em que sua teoria da relatividade ia passar pelo teste da prática declarou: “Se minha teoria da relatividade for correta, minha raça se regozijará. A Alemanha ficará orgulhosa de seu filho, mas a França declarará que eu sou um cidadão do mundo. Mas se minha teoria estiver errada, a França se lembrará de que sou alemão, e a Alemanha afirmará que sou um simples judeu”.

Feitos esses comentários, abordo rapidamente assuntos que envolvem esse vale-tudo da política brasileira.

Brizola no seu tempo me alertava certa vez, que a Globo era uma “infernal máquina de moer carne”.

Sem diminuir a importância do papel admirável dela na dramaturgia, na cultura da gente brasileira, também não é lícito esconder seu papel predador quando lhe interessa a desconstrução da democracia e interesses em objetivos pouco claros.

Lógico que vou continuar vendo “Os tempos eram assim...”, “A força do querer”, o Faustão com suas bailarinas, o Bial, o Globo Rural, o Video-Show, o futebol e tantas coisas mais, menos por favor, o Big Brother.

Ignorar entretanto a parcialidade, a grosseira manipulação de fatos e de dados, a evidente má-fé e a distorção repetitiva de meias verdades que são piores que a mentira, em relação a aspectos do governo Temer, causam indignação aos homens de bem.

Jornalistas, comentaristas que merecem respeito pela sua história, se prestam como kamikazes à tarefa inglória de jogar o país na incerteza.

Que estranhos desígnios pretendem junto com os institutos de pesquisas como Datafolha, Ibope e outros tantos, tentando lavar a cabeça de desavisados?

O falecido Ilustre Senador Luiz Henrique chegou o propor projeto proibindo publicação de manipuladoras pesquisas, um ou dois meses antes de eleições.

São alertas que merecem ser cogitados.

Saudações apressadas,
Jaison Barreto