Viabilidades e inviabilidades do Ruth Cardoso e da saúde de BC

A tentativa (válida), de tentar resolver a situação sempre constrangedora e problemática do Hospital Ruth Cardoso exclui a continuação do sistema atual – complicado, inadministrável e irreal em termos de custo. Ora por descontrole do sistema, ora por uso abusado por parte dos municípios da região, ora também pela omissão franca e continuada do governo do Estado.

Alguns complicadores: a contratação de médicos por licitação, onde a prevalência não é por conhecimentos ou méritos, mas por custo do trabalho, conforme e legislação; a sujeição a preços extorsivos ou fora dos padrões normais do mercado na aquisição necessária de medicamentos; o regime de contratação de funcionários – de forma provisória, em espaços de seis meses, prorrogáveis por mais seis, num máximo de 12 meses ou um ano. Fica sem sentido qualificar um servidor neste espaço e, logo depois, quando essa qualificação atingiu um nível ideal, ter de dispensá-lo em função de nova licitação, de acordo com exigências da lei.

Há outra situação, que é a decisão de se licitar uma entidade que administre a um só tempo o Ruth Cardoso, o PA da Barra e a futura UPA do Bairro das Nações ou que se busque três entidades, uma para cada um desses locais.

O fato é que chamar um concurso público para ocupar as funções fica também além das condições adequadas, pois promoveria um novo inchaço da máquina e, convenhamos, não responde às carências básicas com a eficiência necessária, o que é demonstrado no próprio sistema. Até porque eventuais brechas causadas por qualquer situação ensejariam um baque nos atendimentos – pois a substituição das funções não poderia ser via contratação direta e/ou imediata. Ficaria um hiato nos serviços.

A busca por maior participação do Estado ou por aporte mais generoso (ou até algum aporte) por parte dos outros municípios usuários do Ruth é inócua. Não deu certo até hoje e não dará d’agora por diante. Simplesmente porque o Estado já tem uma má vontade explícita (até porque os seus próprios hospitais estão com dificuldades) e os municípios não manifestam desejo de aportar recursos que atendam minimamente a demanda dos seus cidadãos no Ruth ou até no PA da Barra, muito além do pactuado pelo SUS. E se dinheiro tivessem, investiriam em seus próprios hospitais, para evitar que seus residentes viessem para o Ruth.

A procura por uma solução continua – e a margem de erro já está além, a partir do que se anunciou e fracassou, na formação de um conselho gestor regional. Porque o impasse está na estrutura e no sistema. É isso que precisa mudar. Não há conselho gestor que salve.

Uma idéia lançamos aqui: procurar o apoio da iniciativa privada, das grandes empresas. Porque afinal são seus empregados que dependem do sistema e do Ruth, essencialmente. Poderiam elas dispor de recursos para a manutenção do hospital, como ocorre há décadas e com sucesso absoluto em Jaraguá do Sul, por exemplo. É só imitar. Funciona que é um relógio suíço.