Mero detalhe da família

Não é raro ocorrer em Balneário Camboriú pedidos de ajuda a entidades filantrópicas cuidadoras e recuperadoras de drogados. Até mesmo para asilos de idosos. Nesses, familiares (com as inevitáveis honrosas exceções) depositam lá seus parentes, seja por declarada incapacidade de cuidar (falta de tempo e de condições, sabe-se lá quais), seja por mero e simples "não poder dispor de tempo ou paciência". Como se fossem peças descartáveis quando não mais servem.

Família, no caso, é só um mero detalhe.

Qualquer entidade privada destinada a cuidar, acolher ou recuperar drogados precisa recorrer à caridade pública, ajuda - não muito constante - de entidades privadas e organizações sociais para poder se manter. Escolham uma qualquer e comprovem. Há casos até que são combatidas e massacradas por campanhas maldosas de dentro do próprio sistema. Cito aqui um exemplo histórico e emblemático: a Casa da Criança de Balneário Camboriú. 

Em Criciúma, só como paradigma comparativo, há, desde 1955, o Bairro da Juventude ou Sociedade Criciumense de Assistência aos Necessitados (SCAN). Mantido com ajuda oficial e da iniciativa privada da cidade. Lá são assistidas plenamente, ainda hoje, mais de 1.500 (MIL E QUINHENTAS) crianças de famílias pobres, em tempo integral. Com tudo a que têm direito: educação formal e preparação profissional. Prestaram atenção? Repetimos: MIL E QUINHENTAS crianças, a um só tempo e TODOS OS DIAS. Sem solução de continuidade. Sem mimimi. Sem se queixar. Plenitude.

Vamos adiante: falamos noutra postagem aqui da necessidade de efetivas políticas públicas. E vejam: o nosso asilo de idosos, de repente, ficou quase inviável. Iria acabar e sabe lá Deus com quais consequências trágicas, se o Ministério Público não entrasse no jogo e obrigasse, mediante ação judicial, que o município o assumisse. Triste ver que há necessidade de judicialização para se salvaguardar direitos mínimos de cidadania ultrajada.

A Casa da Criança acabou porque alguém (??) achou que ela não prestava adequadamente um serviço de abrigo a menores abandonados. Ela, inclusive, servia de eixo social em todo o bairro onde se localiza ainda hoje, inativa. Vizinhanças carentes tinham no ambiente um local para recreação, convivência e até alimentação. Mas ela morreu e não parece ter havido um apoio mínimo para que isto não acontecesse. Lamentável. Demonstra o espírito dentro do qual vivemos, apesar das imensas riquezas que giram por aqui. E assim vivem órfãos de pais vivos.

Fazemos esta matéria para tentar servir de raciocínio na busca de caminhos ou de discussões plausíveis em torno das carências sociais vivenciadas a todo momento na cidade.

Veremos no que dá.