Os muros do visual da orla

A Secretaria de Planejamento apresentou diagnóstico da situação atual dos pontos de venda de milho e churros, e mostrou quais mudanças estruturais serão necessárias. O secretário de Planejamento, Edson Kratz informou a todos da real necessidade das modificações visando garantir as questões sanitárias e também paisagísticas, relacionadas aos Cenários Urbanos. A secretaria irá elaborar e apresentar um projeto adequado para barracas, atendendo as necessidades sanitárias. A obra ficará por conta dos comerciantes.

(Trecho de matéria divulgada pela PMBC)

Noutro trecho a matéria diz:

A ação faz parte do projeto “Cenários Urbanos” que iniciou neste mês um diagnóstico urbanístico da Avenida Atlântica. O projeto, que visa diminuir a poluição visual e potencializar a beleza dos espaços públicos de Balneário Camboriú, percorreu toda a orla da Praia Central, vistoriando de forma minuciosa os equipamentos e mobiliários urbanos públicos. Quiosques, pontos de milhos e churros, postos salva vidas, passeio público dentre outros equipamentos públicos foram vistoriados.

- Pergunta é: questão paisagística? Qual a noção de “paisagem” que há nos novos pontos de churros e milho em relação à Praia Central? O mais importante é a orla em si ou um bem construído tapume de luxo para comercializar milhos e churros?

- Outra pergunta: diminuir a poluição visual e potencializar as belezas dos espaços públicos? Qual parte da narrativa eu perdi nesse projeto que, por ironia, se chama “Cenários Urbanos”, pressupondo-se valorização humanística dos espaços (ora, ora...).

A segunda coisa está colocada em mensagem via whats de um “milheiro e churreiro”, representando, até onde é possível entender, todos ou muitos deles:

O prefeito Fabricio Oliveira está cobrando, de nós, milheiros (que trabalhamos nos pontos de churros e milho da beira da praia de Balneário Camboriú) R$ 20 mil reais. O prefeito obrigou os milheiros a fazer mudanças na estrutura dos pontos de churros e milho até o dia 31 de outubro, sob pena de não receber o alvará para trabalhar nesta temporada ou até de ter o ponto demolido.

O prefeito Fabricio Oliveira, além de ter obrigado os milheiros a gastar este dinheiro nos pontos, ainda afirmou que nós trabalharemos, no máximo, até 2019. Se o alargamento da praia for realizado antes, os milheiros terão que deixar os pontos de milho e churros. Caso isso não aconteça, em 2019 a prefeitura informou que fará licitação para a concessão dos pontos. Isso tudo foi acordado com o Ministério Público.

Esse é um acordo que beneficia apenas a prefeitura que está cobrando das famílias um valor que ela deveria gastar. Prefeito, isso é trabalhar pelos moradores de Balneário Camboriú? As famílias dependem deste trabalho. Quem tem R$ 20 mil reais para gastar para trabalhar por dois anos? Se o valor é baixo para o prefeito, por que ele mesmo não paga? Jogamos nosso voto no lixo, prefeito? Famílias inteiras, que dependem desse trabalho, estão desesperadas sem saber para onde correr. Muitos de nós terão que fazer empréstimos no banco, vender carros ou, simplesmente, abandonar o ponto de milho e churros por não termos condições de fazer o que o prefeito Fabricio Oliveira obrigou. Como vamos colocar comida na mesa todo mês? E o aluguel? E as contas da casa? A quem vamos recorrer, se o prefeito não está ao lado dos moradores?

Assinado: Milheiros de Balneário Camboriú

Pra encerrar e pelos fatores aqui reconhecidos, não se entende elaborar um projeto fixo para as tendas de churros e milhos, com custo considerável, tendo que desmanchá-los logo a seguir. Nunca houve  um provisório tão caro.

Parece que o projeto agradou a poucos e atrapalhará mais do que ajudará. O futuro mostrará a consequência e então virão as cobranças. Até porque o tal projeto foi uma imposição - outra - em relação à ocupação da orla, num contraste com permissividades noutras áreas, que se sucedem a cada dia.

Pior que tudo é a realidade dura: são 154 tendas de milhos e churros ao longo da Praia Central, muitos deles amontoados em espaços lineares de 100 metros (tipo cinco, oito e até 10 um ao lado do outro - pra quê?). Suponha, num exercício mental, mais 40 quiosques no trajeto.

Imaginem o resto.