Sensação de segurança, quem sente?

A Polícia Militar divulga mais de 4.500 prisões em flagrante neste ano de 2017. A Guarda Municipal fala em mais de 700 de sua parte. Somando tudo, sem julgar a disputa estatística entre uma força e outra, chegamos a mais de 5.200 prisões em Balneário Camboriú. É coisa pra mais de metro.

Donde surge a dúvida: diminuiu a criminalidade? Se diminuiu, como querem nos fazer crer para demonstrar eficiência, por que tantas prisões? Elas, a rigor, só comprovam a incidência de bandidagem no nosso meio.

Aliás: roubos de carros estão se sucedendo com uma nervosa frequência em pleno centrão da cidade, o que comprova insegurança. Os bandidos demonstram desenvoltura, ante a convicção de que não serão flagrados. Depois até podem ser presos e os bens devolvidos aos seus donos, mas antes disso há muita correria e perigos e riscos para todos.

Por isso, também, a tal "sensação de segurança" é uma utopia. Com 140 GMs e 130 PMs (270 no total) trabalhando em conjunto, poderíamos dificultar um pouquinho mais a circulação dessa bandidagem, principalmente ladrões de veículos, simplesmente instituindo barreiras fixas 24 horas por dia nas entradas e saídas da cidade. Com operações sistemáticas de fiscalização mais de uma vez por dia, em momentos incertos. Conferindo tudo. 

Nas operações eventuais realizadas por uma ou outra força há um resultado bom em se tratando de flagrantes de veículos irregulares, motoristas inabilitados, armas ilegais e até drogas. Nas ruas, flagram-se malandros com mandados de prisão em aberto, alguns até por crimes hediondos. 

É bom que estão prendendo, dirão. OK. Mas é ruim saber que, apesar disso, os bandidos se sentem estimulados a andar por aqui. Até porque muitas das prisões são sempre (quase todas), no pós crime. Ou seja: depois que a vaca foi pro brejo. Não tem sensação de segurança que resista a isso.

Evitar ou prevenir o crime é outra coisa. Muito diferente. Isto só se faz com presença organizada e maciça. Unidas PM e GM, é possível. Desunidas, é impossível. Pior ainda quando ficam disputando hegemonias, espaços, prerrogativas e números.