Asfalto e obras, o tirar e o colocar

Há toda uma festa no fato de a prefeitura de Balneário Camboriú ter exigido da empresa contratada a remoção do asfalto considerado inadequado das ruas "requalificadas" e colocar novo pavimento, de acordo com os termos do contrato. Tudo depois de uma fiscalização.

Estranho, ao menos pra nós, que se deixasse a obra ser concluída para só depois chegar-se à conclusão de que havia um erro na sua execução. Consideremos que retirar tudo e recolocar pode ser justo do ponto de vista ético e financeiro, mas é uma perda de tempo. A fiscalização deveria ser feita DURANTE a obra, quando o asfalto estava sendo colocado e ali, naquele momento, corrigir tudo e obrigar a cumprir o contrato.

Isto acontece com outras obras e serviços prestados ao município e não apenas em Balneário. Só depois de concluídos, conclue-se por um erro e exige-se reparação. E não só aí: também na construção civil aconteceu (acontece ainda?). O empreendedor cumpre os ritos, consegue a licença pra construir, apresenta o projeto na prefeitura. No meio do caminho, resolve mudar - por exemplo, acrescentando penduricalhos e até um ou mais andares, não previstos no projeto. E só então isto é percebido. Já se sugeriu demolir prédios inteiros por isso e por terem sido erguidos em locais indevidos. Há até prédios condenados e ainda não ocupados, justamente porque só perceberam erros estruturais após estar praticamente pronto.

A verdade é que a fiscalização preventiva não existe. Aquela que acompanha a obra passo a passo, justamente para evitar esses impasses legais e físicos. 

A cidade (nenhuma cidade) não comporta mais isso, dada a sua fama de qualidade - real na maioria e fantasiosa em alguns aspectos - social, econômica, urbanística e empresarialmente.

É preciso dar uma mexida nisso daí. Mas quando a gente olha para as peçonhentas estruturas à beira mar plantadas como um lance de genialidade, dá o que pensar.