Compra de vagas em creches é uma fuga a um compromisso público?

Trechos de artigo da ex-vereadora Marisa Fernandes (PT) no jornal Página 3, sobre a compra de vagas para as creches em Balneário Camboriú e também Itajaí:


“Notoriamente, o processo educativo dos pequenos tem sido negligenciado e, não por acaso, as soluções mediante a evidência de negação de direitos, tem sido arbitrárias como é o caso da compra de vagas em escolas particulares para crianças pequenas que não tem acesso na escola pública. Daí julgo importante refletir:  a compra de vagas é uma solução?  É um eufemismo para privatização? É uma transferência de responsabilidade?”


“O Brasil sofre, como diz Sergio Buarque de Holanda (1987), pela ausência de uma clara distinção entre o público e o privado. Desde os primórdios, o país vem se organizando administrativa e politicamente muito mais em relação aos interesses privados do que a partir das regras claras visando a construção do Estado. Deste modo, a compra de vagas, não é apenas um “ato emergencial”; ela está alicerçada, no meu ponto de vista, na negligência do poder público e na falta de compreensão da educação dos pequenos como uma tarefa estruturante da vida em sociedade, por isso universal, pública, gratuita e de qualidade”.


“A educação é um bem público. Não podemos abrir mão desse princípio fundamental, sob pena de banalizar o próprio papel do Estado, do governo e a responsabilidade social com os pequenos”.