Política de 2018: as contas de chegar

Em todas as regiões, os quadros começam a ser delineados para compor as candidaturas à Câmara Federal e à Assembleia Legislativa e, via de consequência, para fortalecer candidaturas ao governo do Estado. Uma coisa puxa a outra. Chapas fortes para os legislativos federal e estadual irão amparar decisivamente os nomes a serem lançados ao governo. Nesse ponto, vantagem para o PMDB, o maior dos maiores em número de prefeitos, vices, vereadores, deputados federais e estaduais e, claro, candidaturas. Se vier coligado com partidos expressivos como PSD ou PR, chegará muito bem à linha de chegada e poderá receber a bandeirada final. Mas eleição não é ciência exata.

A pesquisa do Instituto Paraná indicou, neste momento, uma vantagem de preferência a Esperidião Amin, com números e distância expressivos em relação aos demais nomes. A considerar: pesquisa é momento e tudo pode ocorrer no curso do tempo, daqui pra frente, dependendo das confabulações e esquemas armados. Porém, convenhamos: Amin continua sendo o nome forte que sempre foi. Menos em alguns momentos, mas sempre forte. É bom de palanque, de debate e de voto, se falarmos na individualidade eleitoral. É o melhor, ainda. No segundo turno da última eleição de Luiz Henrique, praticamente isolado, perdeu por pouco mais de 172 mil votos. Uma miséria, considerado o quadro. Tudo porque, num derradeiro debate, LHS se comportou de maneira bisonha e Amin, como sempre, chegou inteiro. Se houvesse mais um debate naqueles moldes, Amin teria sido eleito. Também porque o PT migrou inteiro para o seu nome - demonstrando uma fidelidade canina às ordens de cima, não importando o destino dos votos. 

Quanto à região, é preciso também considerar. Parece que teremos um quadro de renovação interessante, com nomes como Carlos Humberto (vice-prefeito de Balneário Camboriú), vereador Leonardo Piruka ou Fábio Flôr (PP) - um dos dois, Ary Souza (PPS), alguém do PT (quem sabe Marisa, ex-vereadora), Edson Piriquito (PMDB) - não exatamente renovação, mas pode ser assim considerado; alguém do PSDB (se Pavan for de novo, renovação, por certo, não será), para a Assembleia. Para a Câmara Federal, por enquanto poderemos ter Fábio Flôr ou Piruka (o outro irá para estadual), o próprio Leonel Pavan e mais alguém de Itajaí com alcance eleitoral aqui. Vamos retalhar nossos votos. Quem quiser se eleger, terá que sair da Amfri com 25 mil votos ou não chegará. De Balneário, a saber quem conseguirá faturar 20 mil votos. É coisa muita. Irá melhor quem for capaz de arregimentar apoios e votos por todo o Estado, de modo que não depende só da nossa região ou de Balneário Camboriú.

Há imperfeições nesta análise - é possível, tal a amplitude do quadro e o ainda inconsistente movimento dos demais partidos e a incógnita de coligações ainda possíveis nesta eleição. Essas coligações definirão os potenciais eleitorais, ampliando-os significativamente.

Bom lembrar: com algo em torno de 5 milhões de votos, teremos um quociente eleitoral para eleger um deputado estadual (40 vagas) de 125 mil votos. Para deputado federal (16 vagas), o quociente será de 312.500 votos. Então, a cada 125 mil votos conquistados, independente da votação individual dos candidatos, os partidos ou coligações elegerão um nome para a Assembleia. E a cada 312.500 votos, elegerão um Deputado Federal. Claro, a depender da quantidade de votos válidos. Se a abstenção, votos brancos e nulos, chegar aos 20%, os votos válidos serão 4 milhões, reduzindo o quociente dos estaduais para 100 mil votos e o dos federais para 250 mil votos. Facilita um pouco, mas terá que haver uma relação de candidatos bons de urna para conquistar esses números e fazer boas bancadas.

Nome assegurado como único postulante à Assembleia em toda a Amfri pelo PR, o vice-prefeito Carlos Humberto poderá surfar numa onda positiva quanto às suas possibilidades de eleição.