Paraíso perdido

A feroz campanha de 2018 para a presidência já começou, nas mídias sociais e na imprensa. Por enquanto, uma polarização entre os dois primeiros das pesquisas todas: Bolsonaro e Lula. Em meio a isso, o debate sobre quem, o que, como. Há bons princípios a serem discutidos: passado, presente e futuro do candidado. E também sua influência nos campos mais discutidos e nas carências principais do país: corrupção desenfreada, ética, verdade, politicagem, uso e abuso da máquina pública, diretrizes de educação e saúde, mobilidade, segurança pública, saneamento, economia, máquina administrativa. Coisas básicas. 

A pergunta é: qual daqueles cujo passado inclui um currículo de cargos e funções fez bem a sua lição nesses campos? Quais daqueles, sendo jejunos em administração pública, agiram de acordo com os limites de suas missões e funções de modo a ter o que dizer na campanha e, vitoriosos, aplicarem em eventuais governos? Finalmente: o que queremos de um governante? Aqueles que aí estão preenchem nossos anseios? 

Lula governou por oito anos. Foi bom? Repita. Foi ruim? Derrote. Bolsonaro é uma incógnita administrativa e tem teses sobre governar, centrando em segurança, com geração de uma legislação penal forte e punição exemplar para criminosos. Uma cortina de dúvidas encobre os dois: como governariam sem ceder à  maioria congressual? Como governariam sem ceder às pressões empresariais e da grande imprensa? 

Aí vamos para os demais candidatos possíveis: Dória, Marina, Ciro, Álvaro Dias, Alckmin e outros. Esqueçam Luciano Huck, por favor. É uma maluquice. Noutros tempos, forçaram a barra em nomes como o de Sérgio Moro e Joaquim Barbosa. Estão fora e muito fora. Foram apenas fakes. Balões de ensaio, manobras diversionistas. Nunca estiveram dentro.

Lembremos sempre que nem tudo o que um candidato prega em campanha ele será capaz de realizar no mandato. Ou quase nada ele, a bem dizer, será capaz de fazer sozinho, só com a sua vontade. Então, cuidado com o que ouvir. Lula, por exemplo, governou por oito anos e elegeu sua sucessora, que ficou seis anos lá. A promessa era de ser diferente, combater a corrupção e a ladroagem, dar terras a quem não tem e fazer do Brasil um paraíso. Comecem por aí.