Jornalistas submissos e o caso NSC

Nota do Sindicato dos Jornalistas de SC, sobre a demissão (outra) de profissionais da NSC (ex-RBS), setor de jornais:

Às vésperas do anúncio da pomposa “Super Edição do Fim de Semana”, o Grupo NSC Comunicação demitiu 12 jornalistas dos diários A Notícia (Joinville) e Jornal de Santa Catarina (Blumenau). Desde a última sexta-feira (10), o fechamento das edições desses dois jornais mais Diário Catarinense e Hora de Santa Catarina ficou concentrado em Florianópolis, com praticamente os mesmos profissionais, sendo apenas 9 diagramadores e 14 editores.

Todos os dias, são 32 páginas do DC, 24 do AN, mais 24 do Santa e 16 do Hora. “É um domingo por dia”, brinca o pessoal. Já na edição de domingo, são mais 40 páginas, fora os cadernos de Esportes, Nós, Versar e o Clube do Assinante.

Além dos editores e diagramadores, o acúmulo de funções também atinge os repórteres, que trabalham igualmente para a Rádio CBN e dirigem a frota de veículos, que por sinal possui carro com mais de 300 mil km rodados e manutenção a desejar.

Enquanto isso, os profissionais vêem suas funções acumulando, os salários defasados e os diretores da empresa repetindo o mantra “sinergia, paixão e crença no jornalismo” e chegando no trabalho em seus Volvos e Porsches.

No dia 15 de agosto foi anunciado que “a maior empresa de comunicação de Santa Catarina muda de nome e de marca”, em cerimônia – com a presença do governador do estado, estrelas globais e até ministro do governo Temer – que marcou o final da transição das operações da RBS no estado ao Grupo NSC.

O propósito anunciado de “produzir conteúdo que gera valor para a sociedade catarinense” e a manifestação de que “a NSC Comunicação vai mostrar a que veio em todas as mídias”, no entanto, já deixa um rastro de incertezas e preocupações com a recente demissão de 12 profissionais de 2 veículos impressos de inquestionável importância, principalmente para as regiões de Blumenau e Joinville.

Cabe questionar: gerar valor para quem? E reduzindo a equipe de profissionais com a consequente redução da produção jornalística de interesse da sociedade e acúmulo de funções para poucos profissionais?

O Sindicato dos Jornalistas de SC solidariza-se com os demitidos no Grupo NSC e coloca sua assessoria jurídica à disposição dos colegas.

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Tudo isso é verdade. Mas os trabalhadores jornalistas se submetem como carneiros. Os que saem têm a solidariedade e a garantia de assessoria jurídica do sindicato, mas é só. Os colegas que ficam não são solidários, pois, com medo de perder seus próprios empregos, se calam. Antigamente (e é um caso em que concordo com protestos e greves) tal decisão provocaria uma avalanche dentro das redações, inviabilizando a produção de edições. Em 1990, então colunista político do Jornal de Santa Catarina, atuando na sucursal em Florianópolis, vivi um momento assim. Uma "parede" de muitos dias em Blumenau e Florianópolis parou tudo. Ao final, os patrões de então cederam ou ficariam sem jornal pra faturar publicidade. Nos tempos atuais, só contestações virtuais e muito mimimi e acusações pouco consistentes. A solidariedade e a coragem acabaram. A prática deu lugar à teoria.