Cosip, água, Legislativo e Executivo e as sombras dos votos

De repente, os vereadores viraram alvos únicos do reajuste da Cosip e isto causa uma certa estupefação, pela simples e boa razão de que o reajuste da Cosip é de um projeto de lei de autoria do Executivo. Cujos valores, aliás, eram bem mais salgados no original. Mas todos resolveram que, em votando por  um realinhamento de valores com índices menores (embora cheguem a mais de 45%), os vereadores são os culpados.

De fato, poderiam ter rejeitado a matéria, coisa dependente da maioria. Que, por ironia, pertence ao governo. E de forma esmagadora. Ora, desde os tempos de implantação da democracia e da representação política, governo é governo e oposição é oposição. Ademais, bom lembrar, quem os colocou lá foi o povo. Composto dos muitos que reclamam. 

Vamos lá: um realinhamento foi necessário e isto defendemos desde o princípio aqui mesmo. Assim como será necessário realinhar a tabela mínima do metro cúbico da água, da Emasa. Claro, antes mexendo na escala de consumo - que é terrível a partir do segundo consumo (de 11 a 25 metros cúbicos). E ainda temos a tarifa progressiva a consumir orçamentos de condomínios. Que deve e pode ser mudada sem interferência de ninguém, apenas do Executivo.

Tanto no caso da Cosip como da água - tudo é de prerrogativa do Executivo. O legislativo só convalida ou não, é o seu papel. E dele não há como esperar sempre resultados que combinem com o que querem alguns. Sempre haverá contrariedades e insatisfações ou concordâncias. No caso da tabela da Emasa só depende do Executivo. É decisão administrativa. Basta mudar a fórmula de cobrança. Criticaram e ainda criticam Piriquito por ter permitido sem reagir a cobrança da água como é hoje - e as críticas têm fundamento (por isso ficou meio esquisito ele criticando o reajuste da Cosip, que é por onde seus adversários estão pegando). Entretanto, o atual prefeito poderia, no primeiro dia de mandato, ter mudado tudo. Até agora não o fez. Quem sabe amanhã, num lance de clareza. Ainda há tempo. O difícil é renunciar a uma arrecadação gigantesca anual de R$ 30 milhões a mais na Emasa, na comparação entre o antes e o depois da tarifa progressiva. 

Finalmente, não adianta ficar rebolando entre teses e antíteses, explicações e arrazoados para aliviar a tensão criada. E principalmente condenar este ou aquele por votos ou opiniões. Este é o jogo e quem não compreender isto está fora da casinha. Reforçando: oposição é oposição, aliado é aliado. 

Tudo o mais é retórica.