Cidade está sem prefeito

Ao ser chamado como "prefeito interino" na solenidade de aniversário do Sinduscon, na noite desta terça-feira, 12, o vice Carlos Humberto, foi claro: "Estou como representante do prefeito, mas não como interino, pois posse não me foi dada" (em função de viagem internacional do prefeito Fabrício Oliveira ao exterior, onde fica até domingo). Imaginou-se, a princípio, ser uma afronta à legitimidade constitucional. Porém, a Lei Orgânica do Município (Lei 933, de 1990, consolidada até 18 de dezembro de 2014) permite ausência do prefeito sem a posse do vice por até 20 dias, sem referenciar viagens internacionais ou nacionais. Todavia, há entendimentos de que, no caso de viagem internacional, o preceito é inválido, ainda que expresso na lei (anexo), porque o município fica sem comando, literalmente.

De qualquer sorte, independente desses questionamentos, o fato de o titular não dar posse ao vice em decorrência de sua viagem, deixa o município sem prefeito por quatro ou cinco dias. Acéfalo, como dizem. Cumpriu-se a lei, descumpriu-se uma regra comezinha de democracia - um sucessão de poder eventual e temporária, coisa para a qual o vice é eleito.

Se for por menos ou se alguém considerar isso um fato corriqueiro, é possível pensar em uma falta de gentileza, de educação e uma desconfiança paquidérmica. Um buraco indelével no relacionamento dentro do governo. Muito parecido com os velhos hábitos de antigamente, na relação prefeito-vice. Nem aí há nova ideia.

Com efeito, nota-se de há muito uma frieza polar nas relações internas da prefeitura, apesar das aparências. O vice Carlos Humberto é fustigado internamente por assessores principais do prefeito, que o evitam o máximo que podem e o esvaziam até em funções meramente protocolares e inexpressivas. O grande pecado de Carlos Humberto talvez seja a sua capacidade de protagonismo, quando exigido. É um questionador por excelência e um gestor indiscutível, com capacidade e visão para decidir sem medo e sem titubeios. Isso assusta a quem não tem as mesmas capacidades ou nem próximo delas.

Parece ser uma forma de queimar o vice ou não dar-lhe força num momento político, visando 2018, quando ele, de maneira clara, admite ser candidado à Assembleia Legislativa. E, sabe-se lá e nem se duvida, ser um nome forte para 2020. Se o jogo for este, dão-lhe força mantendo-o distante. Melhor seria aproximá-lo o máximo possível para envolvê-lo. Coisa que, com o que vem acontecendo lá dentro e o que se sabe cá fora, já não há mais como.

As etapas estão se queimando e o jogo pode se mostrar bem em breve. É só sentar, puxar um chimarrão e aguardar.