Nova agonia do abastecimento de água

Repete-se todos os anos, na época do verão, também época de irrigação dos arrozais de Camboriú. Os rizicultores bloqueiam a passagem da água com barragens, desviando para suas propriedades. Isto interrompe o volume normal da água na direção da barragem da Emasa no Rio do Meio, de modo que impede a entrada nos dutos que levam à ERAB (Estação de Recalque de Água Bruta), consequentemente, à ETA (Estação de Tratamento de Água). A ponto de terem que ser desligados os motores para não trabalharem a seco, o que pode causar danos fatais aos equipamentos.

O alerta está no ar, por parte das prefeituras daqui e de Camboriú (LEIA AQUI).

Noutros anos houve intervenções das secretarias de Camboriú e da Emasa no sentido de evitar isso ou ao menos controlar o uso da água, que é prioritário para o uso humano. Mas sempre na última hora, quando o problema estava instalado. Chegou-se a chamar polícia, com uso da força, além da intervenção direta do Ministério Público com um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta), para disciplinar os comportamentos. Mas o caso ainda não é este. Vai mais longe.

Durante todos esses anos, sabe-se disso e nada se faz para resolver em definitivo. O Parque Linear seria uma solução, como acumulador de água de onde sairia para o recalque. Não resolve. Desde há muito, mais de década, cogitou-se a busca de uma alternativa, uma outra fonte de água para o abastecimento. Há até um projeto, escondido nos escaninhos da Emasa por ser considerado "muito caro" e inoportuno, visando a implantação de uma adutora desde o Itajaí Mirim. Diziam ser inoportuno, vejam só, porque só serviria para garantir a temporada, o que encareceria o seu custo-benefício. Pelos argumentos, ficaria inoperante ou inútil o resto do ano, precisando de manutenção permanente (o "muito caro" está aí).Quanta besteira. Porto Belo e Bombinhas estão trazendo água do Rio Tijucas, porque o Perequê está exaurido. Daqui a pouco, por este ritmo, o Rio Camboriú também estará, apesar de todos os programas existentes, como o Produtor de Água. 

Porque a questão é: mais caro do que qualquer projeto como trazer água do Itajaí Mirim, é não ter água quando mais precisa - quando a cidade entope de gente nas temporadas e o consumo mais que dobra (de 35 milhões para 80 milhões de litros por dia).

Além disso, uma nova adutora de um outro manancial poderia dividir o sistema de abastecimento da cidade e estaria, também, resolvida a situação dos rizicultores. Beneficiaria a todos. O abastecimento de Camboriú estaria também resolvido. Na divisão por áreas, a cidade vizinha e os bairros limítrofes de Balneário Camboriú receberiam o abastecimento de um lado e o resto da cidade de outro. 

Finalmente, a cidade precisa ampliar - e muito - a sua capacidade de reservação. É paupérrima: 16 milhões de litros (6,4 milhões do R-1, outro tanto do R-2 e 4 milhões do R-3 - futuramente mais dois milhões de dois reservatórios das Praias Agrestes). É insuficiente numa emergência. Dá, se tanto, para oito horas de abastecimento. Se for no verão, menos ainda, talvez a metade deste tempo. 

Em todo caso, reservação é importante para emergências, mas inútil numa estiagem longa. Neste caso, o que resolve é uma nova captação de um novo manancial, como o Itajaí Mirim.