A reservação de água e a captação de maior vulto

Por mais que achem demasiado, por mais que achem impróprio, só a busca de nova captação em outro rio (Itajaí Mirim ou até Tijucas), resolverá por muitas décadas o problema crônico do abastecimento insuficiente em épocas de alto consumo. E dentro de mais alguns tempos, com o crescimento vegetativo da população, isto será essencial - já não mais sob os sustos da sazonalidade de temporada.

Bacia de acumulação, como querem os prefeitos de Camboriú e Balneário Camboriú pode resolver por 40 dias, como dizem, mas não é, ainda, uma solução duradoura. Mesmo com a capacidade de bilhões de litros de água.

Sem uma capacidade de reservação nas áreas servidas pelo sistema, isto não resolverá se, por exemplo, ocorrer um acidente com adutoras. Pela simples e boa razão de que a água estando lá, reservada e à bastança, não chegará ao destino. E a reservação garantidora terá que ser muito boa. A que hoje temos não dá para três ou quatro horas de demanda na temporada e um pouco mais do que isso fora dela. Com ou sem bacia de acumulação, por maior capacidade que tenha, a água não chegará às torneiras e chuveiros.

Com duas captações independentes e interligadas (se necessário), isto não ocorreria. Ou teria que haver uma coincidência trágica de duas captações serem comprometidas por acidentes simultâneos.

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Oportuno lembrar, finalmente: a outorga para retirada de água do Rio Camboriú acabou neste mês (válida por cinco anos). Se renovaram, não se sabe. Mas ela só autoriza 700 litros por segundo. E a Emasa retira mais que isso - quando pouco, 900 litros por segundo. E o faz porque 700 litros não supre a necessidade. Até quando romperemos a lei?

Estão tratando do problema com casualidade, com viabilidades efêmeras. É preciso um pouco mais ou eles mesmos não acreditam no que pregam: o voluntarismo do progresso da cidade e seu crescimento demográfico que, muito em breve, queiram ou não, vai sufocar nossas possibilidades de vida saudável no espaço urbano, no tratamento de esgoto, no fornecimento de água, na agressão ambiental - se não minorarmos e contornarmos os entraves e abrirmos portas e janelas para resolver, pelo fazer ou pelo não permitir que se faça. Coisa que, já hoje, estamos vivenciando a todo momento. Imagine-se dentro de 10 anos. E passa rápido.