Uma lição democrática de Mauro Mariani

Sendo o maior pretendente à candidatura ao governo de Santa Catarina pelo PMDB e presidente do partido no estado, o deputado federal Mauro Mariani poderia forçar a barra internamente e esperar uma decisão à undécima hora, para privilegiar seu nome e obrigar outros pretendentes, como Udo Döhler, prefeito de Joinville, a renunciar ao seu mandato se quisesse concorrer na convenção. Ou deixar as coisas andando, com o partido sangrando pelas veias artérias, com uma disputa fratricida entre ele, Dário Berger, Udo Döhler e mesmo Eduardo Moreira pela indicação.

Podereia fazer, mas não fez. Atropelou prazos e definiu que até março, muito antes da desimcompatibilização, o partido irá escolher seu nome ao governo, em ampla e escancarada escolha interna. A demonstração revela algumas coisas interessantes: Mauro Mariani não teme concorrência. Pelo contrário, demonstra acreditar num processo limpo e claro, que não deixe dúvidas da transparência e da força do partido. E quer ser aglutinador de todas as tendências existentes. E ainda dá uma lição nos que continuam forçando a barra, mesmo sabendo não terem as menores condições de competir - apenas com o desejo de complicar o quadro e, quem sabe, por ação reversa, desqualificar o principal nome cogitado, queiram eles ou não. Justamente Mauro Mariani. Esperavam, quem sabe, uma ação ditatorial, fechada, cruenta. Sua estratégia foi surpreendente para os moldes da política atual, quando todos desejam se impor ditatorialmente, sem dar maiores espaços a quem deseje participar, fato recorrente em praticamente todos os partidos, nos quais as cúpulas decidem e deu pras pelotas.

Ponto para Mariani. Com isso, cala seus eventuais detratores e dá uma demonstração inequívoca de espírito democrático.