Mar impróprio: é preciso analisar bem o fato

Chuva só polui mar se no meio do caminho do seu escoamento até ele, houver sujeiras a transportar. O resultado das análises mostram isso com clareza e o fato é reconhecido pela própria Fatma ao mostrar seus números.

Porém, simples fatores de falta de higiene em ruas não causam tanta poluição como as mostradas recentemente, mas esgotos vertendo no meio da rua sim, saídas irregulares de esgoto sim, esgoto em rede pluvial sim, água doméstica despejada em rede de esgoto sim (pela saturação do volume e consequente extravasamento).

Os critérios baseados na Resolução do Conama 274/2000, seguidos pela Fatma são aceitos até aqui, embora discutidos quando dão resultados negativos - e apenas quando dão resultados negativos.

Já se questionou este critério oficial. Primeiro, porque a análise é feita num dia e o resultado sai três dias depois, quando a realidade não é mais a mesma na grande maioria das vezes. Nesse interregno de tempo a condição pode piorar ou melhorar.

Por exemplo: se coletar num dia de chuva o resultado pode ser um e, parando a chuva no mesmo dia, quando a divulgação acontecer o que era negativo já pode estar positivo - ou seja, de impróprio para próprio.

O contrário também é verdadeiro: um local considerado próprio no dia da coleta de água pode estar impróprio, ainda por causa de um pouco de chuva, no dia da divulgação do resultado, três dias depois.

De qualquer forma, como até ninguém conseguiu - ou nem tentou - mudar esse parâmetro ou modelo de análise da condição da água do mar no nosso litoral, ele continua prevalecendo. E será muito bom que, ao invés de lamentar os tempos ruins das análises, busquem reduzir os impactos disso fazendo o dever de casa, higienizando as ruas ao máximo, combatendo esgotos irregulares, eliminando focos de agressão ao sistema de saneamento, como a incapacidade de coleta e de tratamento de esgoto em épocas de grandes concentrações, como nas temporadas. Esta é uma realidade desagradável e agressiva, mas muito real. Precisamos parar de filosofar sobre isso e partir para a prática.