As tias das escolas, memoráveis cuidadoras

Espalham-se críticas ao objetivo do Projeto de Lei Complementar remetido à Câmara pelo prefeito Fabrício Oliveira, dispondo sobre a criação de função gratificada para os cargos de Agentes de Alimentação e Agentes de Serviços Gerais, lotados na Secretaria de Educação (leia-se cozinheiras ou merendeiras e serventes). A principal crítica é quanto a um ininteligível "desvio de função" ou inadequação da função. Porque prevê gratificação às ocupantes dessas funções quando, ao longo do dia, cuidarem das crianças na circulação e nos recreios, entradas e saídas das aulas. 

Falam em função específica de Orientadores. Tecnicamente até pode ser, mas desde sempre essas pessoas, na prática, é que cuidam das crianças em suas movimentações internas. E cuidam bem, diga-se. Talvez esteja pegando o detalhe de instituir gratificação para mais uma função, quando a folha de pagamento já compromete tanto o orçamento municipal. Mas é só.

Não há o que discutir quanto à realidade dos cuidados dessas pessoas em relação aos alunos. Elas o fazem desde sempre, esteja ou não estabelecido em lei, esteja ou não previsto por regras nada rígidas. A relação dentro da escola é algo muito difuso e nada burocrático, antes e depois da entrada nas salas. Primeiro, porque é um universo amplo e magnânimo e, segundo, porque envolve a fragilidade das crianças. Não dá para restringir isso a uma ou duas pessoas como responsáveis técnicos. É muita filigrana. Podemos incluir um terceiro item: as serventes e merendeiras são veneradas pelas crianças e famílias. Amigas, no estrito significado do termo. Ou tias, como é do jargão habitual.

Além do fato de gerar mais uma despesa na folha, o outro fato é que o Projeto de Lei, por ser complementar, não poderia ser enviado para exame numa sessão extraordinária em período de recesso. Contraria a Lei Orgânica.

Fora disso, normal. Estranho que façam uma guerra em cima do fato.