As cizânias internas do governo Fabrício

O quadro atual é diferente do quadro de um ano atrás, quando ensaiava seu primeiro mês de gestão o atual prefeito de Balneário Camboriú. De lá pra cá, esperanças se tornaram decepções. O programa de governo travou, as promessas ficaram pra trás. E se viu que, da visão oposicionista à visão governista, os enfoques mudam. A realidade, mais ainda. Nem a principal promessa se realizou: economia financeira e reforma administrativa. Pelo contrário, nunca se inchou tanto a máquina como agora. Nunca se privilegiou gente de fora como agora, desprezando os valores locais e regionais, fartos e disponíveis.

Isso tudo, para quem quer olhar e enxergar, causa críticas de quem não reza na cartilha do governo. Mas é pior: gera críticas de quem ajudou a eleger e foi marinheiro de primeira hora no barco de Fabrício. E até o ajudou a guindar o cargo, seja defendendo seus postulados, seja acreditando na sua capacidade de exercer um governo sem atribulações e preferências exóticas.

Hoje seus maiores adversários do mandato estão dentro do grupo que o apoiou, na imprensa e fora dela. Só ficam os aquinhoados. E a gente fica pensando: se o prefeito não consegue domar nem os chucros da sua ala de apoio, como querer compreensão e visão bondosa de quem não o apoiou e lhe faz oposição?

Os que mais reclamam são aqueles que queriam influir nas ações, nomear cargos, ocupar cargos, ditar regras - e não conseguiram. O prefeito lhes foi infenso. De tal modo que lá no âmago do governo, há uma oposição surda à influência do próprio vice-prefeito. Como se ele fosse um inimigo potencial. Ora, quem tem esse visão e a pratica, não pode querer dar certo. O vice foi um dos principais financiadores da campanha. Se não o principal. Então, além daqueles reclamantes que queriam influir, nomear e ocupar cargos, há também os que, lá dentro, deixam florescer cizânias por ciúmes e por disputa de espaços de poder. E batem na tecla errada e inconveniente, por pura inépcia sensorial. E isto é inevitável não atingir a própria alma do governo. Que fica sem ter condições nem de abraçar os seus, sabendo-se que a prática de diálogo começa por casa. Se aí falhar, é impossível querer estímulos de fora, como reconhecimento político.

O governo, hoje, vive de frases de efeitos, de alvíssaras de (ainda) apaixonados. E de postagens ufanistas nas mídias sociais. A questão, nisso tudo, é a sociedade enxergar outra coisa nas ruas e nas entrelinhas dos fatos.

Do jeito que vai não há roda-gigante que salve.