Incongruências da balneabilidade

A quarta análise de qualidade da água do nosso mar da Praia Central deste ano é trágica: só UM ponto próprio, como mostra o quadro anexo.

A tragédia, no entanto, pode ser compreendida na leitura dos históricos. E então veremos que seus resultados representam, se bem estudados, até um alento e demonstra um equívoco. Explica-se: há pontos que só estão impróprios porque o número de uma análise lá atrás apresentou dados muito significativos. Hoje, o ponto é até ótimo para banho (em tese, claro...), mas está impróprio pelas normas da Resolução 274 do Conama, de 2000. 

É disso que se fala: a incongruência dessa norma, a que a Fatma se obriga a seguir.

Vejam: até o Pontal Norte, impróprio por natureza, está com números razoáveis, em termos normativos. Saiu de 1793 coliformes na penúltima análise e agora está com 598. Mas o ponto de coleta defronte à Rua 4900, quase sempre próprio, ficou impróprio e foi o destaque negativo dessa última análise: subiu de 31 coliformes fecais por 100 mililitros em 9 de janeiro, para 249 em 15 de janeiro e 6.867 em 22 de janeiro. É um comportamento esquisito e muito ruim. O que causou essa mudança? Por este número, ficará impróprio por mais umas quatro análises, de acordo com as normas do Conama.

O ponto defronte à Rua 4000, considerado próprio desde o início, continua próprio, mas subiu de 41 para 1.137 coliformes entre a análise do dia 15 e a do dia 22. O ponto da Rua 3500 ficou impróprio - subiu de 512 para 862 coliformes. A Rua 2500 caiu o número de coliformes, mas continua imprópria. O ponto da Rua 1400 caiu de 905 coliformes para 10 nesta última análise. E continua impróprio. 

De qualquer maneira, embora se entenda que, apesar de próprio, um ponto pode continuar impróprio pela média dos números entre as cinco últimas análises, vale a amostragem sumária da impropriedade, mostrada no quadro. É isto que se divulga, até porque ninguém dá bola para explicações técnicas e números relativos a isto ou aquilo. Aliás, ninguém lê essas porcarias e nem se importa em pesquisar. Afinal, de que adianta? Não é isto que prevalecerá, mesmo...

Porém, é bom alertar para fatos como o da Rua 4900. É preocupante. Não pode, a nosso ver, um ponto estar próprio e com números baixos de coliformes durante um tempo e, de repente, subir estratosfericamente enquanto outros pontos, até os muito ruins como o Pontal Norte, caem. É a isto que precisamos prestar atenção. Porque a explicação das chuvas, neste caso, não serve. Se fosse assim, a poluição atingiria todos os pontos.