A saga da fiação subterrânea: oremos

A notícia oficial, ipsis litteris, expedida pela prefeitura, sobre a fiação subterrânea da Brasil. A seguir, considerações nossas:


A tão esperada implantação da fiação subterrânea da Avenida Brasil irá sair do papel. Na tarde desta quarta-feira (07), em Florianópolis, o governador Raimundo Colombo autorizou a Celesc a executar a obra. O ato aconteceu em reunião com o prefeito Fabrício Oliveira, o presidente da Celesc, Cléverson Siewert e o superintendente da Contribuição para Custeio de Serviço de Iluminação Pública (COSIP), Anderson dos Santos, no gabinete do governador. No ano passado, o prefeito teve diversas reuniões com o governo do Estado para buscar esse investimento, que deve mudar a paisagem de uma das avenidas mais importantes de Balneário Camboriú.

O governador Raimundo Colombo destacou a importância da obra para mudar o visual de um dos principais destinos turísticos do Estado. “O contrato está feito. A Celesc já está autorizada a fazer a licitação e as obras podem começar imediatamente. Eu não tenho dúvida que um dos grandes problemas das vias urbanas é a poluição visual e para uma cidade turística tão importante e tão valorizada como Balneário Camboriú será um ganho extraordinário”, destacou o governador.

O projeto deve ficar pronto até a segunda quinzena de março. Na sequência, será aberta a licitação, que deve durar entre 90 e 120 dias. “Entre a assinatura e o término da obra estimamos cerca de 18 meses” disse o presidente da Celesc, Cléverson Siewert.

O prefeito Fabrício Oliveira solicitou ao gestor da Cosip celeridade na entrega do projeto que está sendo executado pela Amfri. “A Avenida Brasil é um dos comércios mais adensados do país e tem muita importância econômica para a cidade e região. O cabeamento subterrâneo é uma obra fundamental porque vai possibilitar que façamos a revitalização dessa via para que o comércio possa ser requalificado. É uma forma para fomentar essa força da economia”, disse o prefeito.

O projeto da obra já está sendo elaborado pela Associação dos Municípios da Foz do Rio Itajaí (AMFRI) e está orçado em R$ 10 milhões. A fiação subterrânea vai melhorar a estética urbana da avenida, que ficará livre de postes e fios da rede elétrica, telefonia, TV a cabo, além disso, oferecer mais segurança.


CONSIDERAÇÕES:

Nenhuma dúvida da importância da obra. Críticas à sua execução ficariam fora de rota e seriam cretinas. Observações visando esclarecer outros aspectos, todavia, precisam ser colocadas:

1) A fiação subterrânea abrangerá parte da Avenida Brasil e não toda. A informação oficial, como o texto acima revela, omite o fato. Pelo contrário, deixa a impressão de ser toda a avenida. E não é.

2) Necessária uma leitura dos prazos: 18 meses de execução da obra entre a assinatura do contrato e o término (um ano e meio). Acrescente-se mais o prazo máximo de 120 dias (quatro meses), entre a abertura e a conclusão do processo licitatório, após o qual, aí sim, o contrato pode ser assinado. Se tudo correr bem e o processo não estagnar por contestações e recursos. Brincando, dois anos de prazo total, se tudo correr bem. Ou seja: no final de 2019, num cálculo otimista e baseado nas informações oficiais.

3) Sinceridade? A execução dependerá do futuro governador Eduardo Moreira, vice que assumirá com a renúncia de Raimundo Colombo para candidatar-se ao Senado. Oremos que tenha a mesma disposição.

4) Esta fiação subterrânea está prometida desde 2008 e já foi garantida algumas vezes, sem sair do lugar. Agora, ante augúrios e prenúncios tão otimistas e fatos presumivelmente concretos (um fato concreto já houve, igualzinho, em 2010: o recurso para a execução da obra estava no orçamento e foi retirado exatamente por Raimundo Colombo, tão logo assumiu o seu primeiro mandato e ninguém cobrou isto dele ao longo de todo este tempo), confiam que acontecerá. Ousamos recomendar cautela com este andor. O tempo dirá, mas é bom colocar um pouco de sal na moleira. Adoraremos ser desmentidos.