COLUNA POR UM - Minha opinião

Balneabilidade e bom senso

Percebe-se uma preocupação da prefeitura em esconder as análises da Fatma quando seus resultados são negativos ou até muito ruins, como as primeiras cinco análises do ano. Logo a seguir, quando a qualidade melhorou, tratou de dar destaque em seu site. Há uma avesso aí: as análises de balneabilidade, segundo as normas estatuídas, são justamente para advertir dos riscos à saúde nos banhos de mar. Escondendo os resultados, a prefeitura agride o bom senso. E inclusive comete uma inversão de valores.

Fora da Câmara

Deixei o cargo ocupado na Câmara Municipal. Valeu pela experiência. Em tudo há uma lição a ser tirada. Quem sabe eu não tenha correspondido às expectativas. Todavia, guardo a convicção de que as minhas expectativas também não foram correspondidas. Outros servidores também saíram e, garanto, todos se sentiram aliviados ao cair fora dessa panela de pressão. Há dois momentos vitais nesses casos - a alegria de entrar e a alegria de sair. Nada contra ninguém, mas a burocracia da Câmara é um tormento para qualquer um. As coisas apenas não andam.

Saúde: euforias demais

Enquanto os augúrios iniciais davam a entender que havia maravilhas a serem catalogadas nos atendimentos da saúde, com as informações difundidas de filas zeradas de especialidades e exames laboratoriais, já há gente reclamando de até oito meses de prazo para uma consulta com um ortopedista e mais de seis meses pra uma consulta com um neurologista e, segundo os pacientes, "em caráter de prioridade" (imaginem se não fosse). Aceitemos ser esta a situação vigente na maioria das cidades e mesmo no Brasil. O erro está em vangloriar-se de resultados que, atingidos quem sabe num primeiro momento, não se mantêm.

Raimundo Colombo e seu drama

O governo do Estado promoveu uma festança incomum na passagem de bastão de Raimundo para Eduardo. É apenas uma licença, por enquanto. A renúncia poderá vir a 7 de abril, prazo máximo de desincompatibilização para candidaturas. Colombo deseja o Senado, de novo. Trata-se, na verdade, de uma precaução político-eleitoral. O governador licenciado vai "medir a febre" do ambiente e aguardar as implicações possíveis de seu envolvimento na Lava Jato, como denunciado pelo MPF. Se tudo correr bem, renuncia; se não, volta.

A limpeza do vice Moreira

Em todo caso, parece muito bem delineada a situação: Eduardo Moreira assumiu como um furacão. Exigiu a demissão de todos os assessores, dando lugar aos seus. Fez mudanças radicais na montagem da equipe. E impôs a saída definitiva do PP da base de apoio. Não quer ver este partido nem pintado de ouro dentro da administração - dadas suas relações inamistosas com Esperidião Amin, embora o deputado pepista tivesse, lá atrás, sido contrário à entrada do PP no apoio a Colombo, sendo voto vencido. Na região, o reflexo da posse de Moreira é sua proximidade pessoal e política com Piriquito, ex-prefeito e atual secretário da ADR e virtual candidato à Assembleia Legislativa. 

Relação frágil

É marcante a fragilidade com que o governo de Fabricio Oliveira se relaciona com a Câmara, mesmo com a intermediação de Omar Tomalih, gente da casa, como titular da pasta destinada exatamente a esta finalidade específica. O ex-titular da Pasta, Ary de Souza funcionou muito mal na missão. O atual também não está conseguindo muito sucesso. Um dos requisitos que, parece, falha bastante é a incapacidade de antecipar o jogo, de atuar na arregimentação da bancada antes dos projetos e dos temas serem levados a plenário. Falta informação aos vereadores. Invariavelmente, eles são surpreendidos pelos fatos polêmicos em plena sessão. Dizem que há, no governo, gente de nariz empinado demais para dar atenção a "meros" vereadores.