PMBC no limite; prefeito precisa cuidar

Administração de Balneário Camboriú está proibida de admitir servidores, por superação da margem prudencial dos gastos permitidos pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Exceções: saúde, segurança e educação. Os índices de comprometimento estão muito próximo do limite fatal (54%), momento que, atingido, praticamente inviabiliza a administração e veta muitas atribuições funcionais.

Há uma saída, única: reforma administrativa, com redução drástica de despesas, com destaque para as relativas aos cargos comissionados, cuja redução deveria ter sido uma prioridade do atual governo. Não só não foi, como até se ampliou. Mesmo antes da eleição de 2016, em entrevistas sucessivas, o atual prefeito repetiu à exaustão projetar, como primeira medida de seu governo, implantar uma reforma administrativa com enxugamento da máquina. Depois de enroscado em contradições o tempo inteiro, aumentando ao invés de reduzir despesas, o prefeito assegurou seu desejo de executar a reforma. Como não impôs um prazo para isso, foi deixando. Até que, agora, com a água no pescoço e premido por imposição judicial, anuncia intenção de elaborar o projeto e executá-lo até maio. 

Será uma ginástica digna de se ver. Os óbices mais importantes virão de dentro da própria base, pois haverá forçoso sacrifício de cargos e funções de interesse de vereadores e outros integrantes da base de apoio eleitoral. Uma previsão de constrangimentos, pressões, avanços e recuos sucessivos. Nestas horas, sabe-se, ou a autoridade maior se impõe - até pelas circunstâncias inamovíveis e inquestionáveis, sob pena de punição judicial - ou será tratorada pela realidade nua e crua. Porque qualquer aliado pode ser contrário, tentar mudar ações restritivas de despesas para não ver prejudicados seus objetivos, mas o responsável final não será ele, senão o prefeito. É preciso coragem e desprendimento. E autenticidade. Caráter cívico. Espírito público. 

Não precisaria a situação ter chegado a este ponto, fosse feita a lição de casa no primeiro ano de gestão. O prefeito precisa tomar cuidado com o que ouve, a quem dá atenção dentre os que o rodeiam e com os conselhos que recebe. E ler muito bem os papeis que assina, questionando sem receio o que achar indevido. Não fazer. E pronto. Apenas isso. Apague o rastilho antes que seja tarde.